Priorizar nos meus resultados Google Presa há décadas a um ritmo de crescimento lento, a América Latina, embora seja hoje formada por países majoritariamente de renda média e que estão entre os emergentes com os melhores níveis de consumo, deve em breve começar a ser ultrapassada por um punhado de países asiáticos. Eles ainda consumiram menos do que nós na última década, mas, a partir da próxima, muitos já terão se equiparado ou mesmo superado a poder de compra dos latinos, dado que crescem bem mais rápido. É esta a principal conclusão de um relatório divulgado nesta sexta-feira pela consultoria internacional Oxford Economics.

De acordo com as projeções feitas pela consultoria, a renda e a distribuição devem seguir melhorando nas principais economias latinas nos próximos anos, incluindo no Brasil, com os estratos mais pobres encolhendo enquanto a classe média engorda. Isso, contudo, continuará acontecendo de maneira mais lenta do que no resto do mundo. “A renda das famílias vai continuar crescendo na próxima década na América Latina, com as faixas de renda baixa reduzindo e as de renda média aumentando”, diz o relatório. “Disto isto, o crescimento da renda na América Latina vai ficar para trás em comparação à maioria de seus pares emergentes, e a distância em relação às nações mais ricas, como os Estados Unidos, deve continuar grande.”

As comparações levam em consideração a média, por década, do consumo per capita anual de cada país, considerados os períodos de dez anos encerrados em 2026 e em 2036. Como, para chegar à média, a Oxford considerou o desempenho ao longo de cada janela de dez anos, os números são diferentes dos dados de renda per capita anual de cada economia (veja o ranking ao fim). Como cresce mais rápido, o PIB per capita de vários desses países asiáticos já começou a ultrapassar parte dos latinos nos últimos anos – caso da Malásia e da China, onde a renda média já é maior que a do Brasil há alguns anos.

A China e a Turquia serão os dois principais que vão trocar de lugar com os latinos de 2027 a 2036. Eles consumiram menos na década encerrada em 2026, mas, até 2036, já terão acumulado mais. O consumo anual médio dos chineses, por exemplo, que foi próximo de 4.000 dólares ao ano na década de 2017 a 2026, deve subir para perto dos 8.000 dólares na média dos próximos dez anos. No caso do Brasil, esta média deve subir dos atuais 6.000 dólares para pouco mais de 7.000 dólares ao ano, pelas métricas da Oxford. A comparação é afetada tanto pela taxa de crescimento quanto pelas variações de cada moeda em relação ao dólar.

A Malásia é outro que já ultrapassou o Brasil na última década, e, ao fim da seguinte, terá se aproximado do Chile e da Argentina também. Há vários outros que também crescem bem mais rápido – e só não vão alcançar os latinos porque partem ainda de níveis de pobreza e consumo muito baixos. É o caso do Vietnã, Bangladesh e Índia. Os três devem dobrar a sua renda e o seu consumo na próxima década, mas todos eles ainda consumiram menos do que 2.000 dólares ao ano na década anterior.

Esta inversão vai acontecer porque os ritmos de crescimento são bem diferentes: o consumo per capita deve crescer 15% até 2036, em valores convertidos para dólares, no conjunto das seis maiores economias da América Latina (Brasil, Argentina, Colômbia, Chile, México e Peru), pelas projeções da Oxford. Entre os asiáticos, essa taxa vai passar dos 30%: a projeção para a Turquia, por exemplo, é de um crescimento de 40%, a Indonésia deve crescer 46% e, a China, 70%.

Veja o ranking do PIB per capita dos principais países latinos e asiáticos em 2025: