Uma ampla operação de combate ao tráfico de animais silvestres, falsidade ideológica e organização criminosa foi deflagrada na manhã desta terça-feira (3) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), coordenado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Batizada de Operação Aruana, a ação contou com o apoio da 21ª Promotoria de Justiça da Comarca de Joinville e da Polícia Militar Ambiental, abrangendo simultaneamente diversas localidades em cinco estados do Brasil.

As investigações resultaram na expedição e cumprimento de 45 mandados de busca e apreensão e 20 mandados de prisão, direcionados a 39 indivíduos suspeitos de envolvimento nos crimes. As ordens judiciais, emitidas pela Vara Estadual de Organizações Criminosas de Santa Catarina, foram executadas de forma estratégica para desmantelar a rede criminosa que opera na captura, transporte e comercialização ilegal de fauna. Em Santa Catarina, a operação se estendeu por 15 municípios, incluindo Balneário Camboriú, Barra do Sul, Barra Velha, Florianópolis, Governador Celso Ramos, Indaial, Ilhota, Itajaí, Itapema, Jaraguá do Sul, Joinville, Navegantes, Palhoça, Santo Amaro da Imperatriz e Timbó.

A dimensão nacional da operação foi marcada por diligências em diversos outros estados. Na Bahia, as ações ocorreram em Lauro de Freitas. Em São Paulo, os alvos se concentraram em Diadema, Guarulhos, Indaiatuba, Ribeira, Ribeirão Preto, São Bernardo do Campo, São Paulo e Sorocaba. O Paraná registrou cumprimentos de mandados em Curitiba, enquanto no Rio Grande do Sul as operações foram realizadas nas cidades de Pelotas e Glorinha, demonstrando a vasta extensão geográfica da organização criminosa investigada.

O principal objetivo da Operação Aruana é apreender materiais relacionados ao tráfico de animais, à falsificação de documentos e à atuação da organização criminosa. A ação visa reunir elementos que comprovem a materialidade dos delitos, identifiquem todos os seus responsáveis e verifiquem possíveis situações de flagrante que possam ocorrer durante o cumprimento dos mandados. Os animais resgatados durante as diligências recebem atendimento e proteção imediatos, contando com a assistência de médicos-veterinários disponibilizados pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária, que permanecem de plantão para orientar as equipes no manejo adequado.

Até o início da tarde desta terça-feira, a operação já havia contabilizado a apreensão de 72 aves, incluindo espécies como arara, tico-tico, sabiá e canário. Além disso, foram efetuados 24 mandados de busca e apreensão em Santa Catarina, que resultaram em dois autos de prisão em flagrante. Em São Paulo, 16 mandados de busca foram cumpridos, com mais três prisões em flagrante. Todo o material de interesse investigativo apreendido é encaminhado à Polícia Científica para exames periciais e emissão de laudos, que serão cruciais para aprofundar as linhas de investigação do GAECO e mapear a atuação da rede criminosa.

O nome "Aruana", de origem tupi-guarani, que significa "sentinela da natureza", foi escolhido para a operação por sua relação direta com o propósito de combate ao tráfico de animais silvestres. Derivado de "a’ruã", termo que remete à garça, o nome também faz alusão às aves que habitam áreas alagadas e lagos, simbolizando a fauna ameaçada pelo comércio ilegal. O GAECO, força-tarefa composta pela Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar, sob a condução do Ministério Público de Santa Catarina, reafirma seu compromisso na identificação, prevenção e repressão às organizações criminosas que ameaçam a biodiversidade e a segurança pública.