A menopausa, fase natural da vida feminina, traz consigo uma série de transformações hormonais que impactam diretamente a saúde cardiovascular. Especialistas abordaram essa complexa relação em uma recente entrevista, destacando como as alterações fisiológicas podem aumentar o risco de doenças cardíacas em mulheres após a cessação da menstruação.

A transição para a pós-menopausa frequentemente coincide com o acúmulo de gordura visceral, resistência à insulina e elevação da pressão arterial. Sintomas como fogachos e alterações no sono, comuns nesta fase, podem ser exacerbados e afetar a qualidade de vida, além de potencialmente influenciar o ganho de peso. A cardiologista Salete Nacif e o ginecologista José Maria Soares Jr. enfatizaram a necessidade de uma abordagem integrativa, que considere não apenas os aspectos hormonais, mas também o estilo de vida, incluindo dieta, atividade física, consumo de álcool e tabaco, e o gerenciamento do estresse.

A terapia de reposição hormonal (TRH) foi um dos pontos centrais da discussão, com a ressalva de que sua indicação deve ser individualizada. Pacientes com histórico de câncer de mama ou doenças cardiovasculares preexistentes, como infarto ou AVC, necessitam de avaliação de risco rigorosa antes de iniciar o tratamento. Para essas mulheres, alternativas como psicotrópicos podem ser consideradas. Recentemente, a Anvisa aprovou um novo medicamento que atua nos receptores de neurosinina três, oferecendo uma nova opção terapêutica para o controle das ondas de calor, sem a necessidade de hormônios.

Entretanto, a atividade física regular foi amplamente destacada como um pilar fundamental na prevenção e manejo dos impactos da menopausa. Seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde, 150 minutos de exercícios moderados ou 75 minutos de atividades intensas por semana, combinando exercícios aeróbicos e de resistência, são cruciais. Os especialistas reforçaram que a prática de exercícios é um tratamento não-farmacológico essencial, benéfico para múltiplas condições de saúde. Além disso, foram discutidos o papel do estrogênio na proteção cardiovascular, os riscos da menopausa precoce e a importância de exames diagnósticos regulares para identificar sintomas que não devem ser atribuídos unicamente às alterações hormonais, como sinais de infarto na mulher.