Flávio Bolsonaro (PL) tem adotado posturas que divergem do discurso de ajuste fiscal esperado pelo mercado financeiro, mas a maioria dos investidores parece manter a confiança em sua candidatura. As declarações recentes do candidato, que incluem a defesa de reajustes do salário mínimo acima da inflação, a rejeição à desvinculação de benefícios previdenciários do piso salarial e a descartada mudança constitucional para eliminar gastos mínimos obrigatórios com saúde e educação, geram dúvidas. Além disso, ele afirmou que não pretende rever o fim da escala 6x1, uma medida que contraria expectativas de maior flexibilidade nas relações de trabalho e pressiona o orçamento.
Nas conversas com agentes do mercado, a dinâmica é de um cálculo de probabilidades. A vitória de Flávio não garante um ajuste fiscal imediato, mas é vista como uma oportunidade com maior potencial de mudança na política econômica do que uma eventual gestão de Lula. Essa perspectiva, mesmo com incertezas, tem impulsionado a valorização de ativos brasileiros, com investidores buscando não perder o rali atual.
Uma fonte sob reserva apontou que, na linguagem do mercado, apostar contra o movimento de alta pode ser custoso, indicando que a estratégia atual é participar do rali. O otimismo convive com ressalvas, e a justificativa para não perder a oportunidade reside na crença de que a perspectiva de troca de governo pode gerar ganhos com a valorização da bolsa e queda dos juros futuros, mesmo antes de decisões concretas sobre gastos públicos.
A continuidade dessa valorização do mercado, que foi pausada momentaneamente, agora depende do impacto das declarações dos candidatos nas pesquisas e, posteriormente, da definição da equipe econômica, especialmente do futuro Ministro da Fazenda. A composição favorável a Flávio no Congresso pode ser um trunfo, mas dependerá da capacidade do ministro em atuar como fiador das reformas e ter respaldo presidencial para conduzir o ajuste, mesmo com custos políticos. A atual preferência do mercado pode ter um componente de curto prazo, com investidores participando do rali sem ter certeza da sustentabilidade das promessas de mudança, estando preparados para mudar de posição caso o cenário futuro decepcione.


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