Analistas do mercado financeiro revisaram para cima a projeção do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve como a inflação oficial do Brasil, elevando-a de 4,31% para 4,36% para o ano de 2024. Esta é a quarta semana consecutiva de alta na estimativa, divulgada no Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central que coleta as expectativas de diversas instituições financeiras. Apesar da elevação, a nova projeção permanece dentro do intervalo da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, situando o limite superior em 4,5%.

O cenário de incertezas globais, especialmente as tensões geopolíticas no Oriente Médio, tem sido um fator contribuinte para essa revisão. Recentemente, a inflação de fevereiro foi de 0,7%, impulsionada principalmente por aumentos nos preços de transportes e educação, representando uma aceleração em relação a janeiro (0,33%). No entanto, o IPCA acumulado nos últimos 12 meses recuou para 3,81%, caindo abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2023. A expectativa agora se volta para a divulgação da inflação de março, que será anunciada na próxima quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e poderá refletir os primeiros impactos do conflito no Oriente Médio. Para os anos seguintes, as projeções para a inflação também foram levemente ajustadas para cima.

A taxa básica de juros, a Selic, desempenha um papel fundamental na estratégia do Banco Central para atingir a meta de inflação. Atualmente fixada em 14,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic foi recentemente reduzida em 0,25 ponto percentual. Antes da escalada dos conflitos no Oriente Médio, havia uma expectativa de corte maior, de 0,5 ponto. A taxa já esteve em seu patamar mais alto desde julho de 2006, atingindo 15% ao ano, após sete aumentos consecutivos entre setembro de 2023 e junho de 2024. Diante das atuais incertezas, o Banco Central não descarta revisar seu ciclo de baixa, caso as condições econômicas assim exijam. A próxima reunião do Copom para definir a Selic está agendada para os dias 28 e 29 de abril.

Historicamente, o aumento da Selic visa conter uma demanda aquecida, refletindo nos preços ao encarecer o crédito e estimular a poupança, o que, por sua vez, pode moderar o ritmo de expansão econômica. Por outro lado, a redução da Selic tende a baratear o crédito, incentivando a produção e o consumo, estimulando a atividade econômica, mas com o risco de maior pressão inflacionária. As instituições financeiras preveem que a Selic possa chegar a 12,5% ao ano até o final de 2026, com quedas subsequentes para 10,5% em 2027, 10% em 2028 e 9,75% em 2029.

No que tange aos demais indicadores macroeconômicos, o Boletim Focus manteve a estimativa de crescimento da economia brasileira (Produto Interno Bruto – PIB) em 1,85% para este ano. Para 2027, a projeção é de 1,8%, enquanto para 2028 e 2029, o mercado financeiro projeta uma expansão de 2% em ambos os anos. O PIB brasileiro teve um crescimento de 2,3% em 2023, com expansão em todos os setores e destaque para a agropecuária, marcando o quinto ano consecutivo de crescimento. Em relação ao câmbio, a previsão para a cotação do dólar está em R$ 5,40 para o final de 2024, com uma ligeira alta para R$ 5,45 ao término de 2027.