A visita, que ocorrerá em São Paulo, provocou reações no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reforça a estratégia de Milei de estreitar laços com lideranças conservadoras da América Latina.
O secretário-geral da Presidência do Brasil, Guilherme Boulos, criticou duramente a iniciativa nas redes sociais, chamando Milei de “imbecil” e afirmando que sua presença poderia prejudicar, e não ajudar, a campanha de Flávio Bolsonaro.
A viagem ao Brasil faz parte de uma intensa agenda internacional anunciada pelo presidente argentino.
Após a passagem por São Paulo, Milei participará da abertura da Exposição Rural, em Buenos Aires, antes de seguir para Peru, onde acompanhará a posse da presidente eleita Keiko Fujimori.
Em seguida, viajará à Colômbia para prestigiar a cerimônia de posse do presidente eleito Abelardo de la Espriella e encerrará o roteiro no Equador, onde se reunirá com o presidente Daniel Noboa para avançar em acordos bilaterais.
Milei afirma que essas viagens fazem parte de sua estratégia de política externa voltada para ampliar o comércio e atrair investimentos para a Argentina.
Segundo o presidente, o país “deveria comercializar três vezes mais” do que atualmente e a exposição internacional do governo tem ajudado a conquistar novos investidores.
A agenda internacional ocorre em um momento em que Milei busca capitalizar os resultados de seu programa econômico.
Após assumir a Presidência prometendo combater a inflação e reduzir o tamanho do Estado, seu governo implementou um amplo ajuste fiscal, cortou gastos públicos, reduziu subsídios e promoveu uma forte desregulamentação da economia.
O governo também aposta no Regime de Incentivo para Grandes Investimentos (RIGI), criado para atrair projetos de longo prazo em setores como mineração, energia, petróleo, gás e infraestrutura.
Milei tem defendido a ampliação do programa por meio do chamado “Super RIGI”, voltado a investimentos superiores a US$ 1 bilhão, proposta que ainda depende de aprovação definitiva no Senado argentino.
Durante entrevista à rádio Now 97.9, o presidente voltou a defender o programa e afirmou que as províncias que aderiram ao regime já começam a colher benefícios econômicos, enquanto criticou governos locais que resistem à iniciativa por razões ideológicas.
Com a inflação em trajetória de desaceleração e o governo tentando consolidar a recuperação da atividade econômica após um período de forte recessão.
Milei procura combinar a agenda de reformas internas com uma política externa voltada à aproximação de governos e lideranças alinhados ao liberalismo econômico.
A visita ao Brasil, no entanto, adiciona um componente político à estratégia.
Além de reforçar sua proximidade com a família Bolsonaro, o deslocamento ocorre em meio à relação fria entre Milei e o governo Lula, marcada por divergências ideológicas e diplomáticas desde o início do mandato do presidente argentino.
