O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, reagiu de forma contundente às críticas feitas pelo presidente da Argentina, Javier Milei, sobre a economia brasileira. Em entrevista ao Rádio Jornal, de Pernambuco, Durigan desqualificou as declarações de Milei, chamando-o de "palhaço" e ressaltando que o país vizinho enfrenta problemas econômicos mais graves, como um risco país, dívida pública e inflação significativamente mais altos.
As falas de Durigan surgiram como resposta a uma projeção de analistas sobre uma possível recessão no Brasil em 2027 e às declarações de Milei feitas em um evento do PL em São Paulo. Na ocasião, o presidente argentino alertou para uma "crise de dívida" no Brasil devido à falta de ajuste fiscal e acusou o governo Lula de "esbanjamento". Milei também direcionou críticas ao ministro do STF, Alexandre de Moraes, por impedir sua visita a Jair Bolsonaro.
Em sua defesa da gestão econômica, Durigan mencionou planos para "diminuir o gasto obrigatório" e "modernizar o Estado", além de discutir a vinculação do crescimento do salário mínimo ao arcabouço fiscal e a possibilidade de limitar o crescimento de pisos em saúde e educação. Ele também abordou a questão dos juros altos, atribuindo-os a fatores fiscais, à desconfiança de investidores e a influências externas como a taxa de juros americana e a Guerra do Irã, mas reafirmou o compromisso em melhorar o cenário fiscal brasileiro.
O ministro também comentou sobre a política de importações, especialmente a "taxa das blusinhas". Durigan classificou o cenário de importações de encomendas asiáticas como "anarquia" e afirmou que o governo pode intervir, propondo mudanças ao presidente se as importações saírem dos padrões e gerarem falta de isonomia para a produção nacional. Ele lembrou que, após a criação do programa Remessa Conforme, a alíquota de 20% sobre compras internacionais foi zerada por medida provisória, o que gerou protestos da indústria nacional e um aumento nas importações.
