Motoristas de aplicativos e taxistas ganharam uma nova modalidade para financiar veículos: o programa Move Brasil. A nova linha de financiamento, lançada na última terça-feira, vai permitir que os profissionais de transporte autônomos adquiram veículos com taxas de juros abaixo das praticadas no mercado.

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O Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu hoje as condições dos financiamentos, confirmando o que adiantara ontem presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante. As taxas serão de 12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres.

Os juros dessa nova modalidade de financiamento também são inferiores à taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,5% ao ano. Isso é possível porque o presidente Lula assinou uma medida provisória (MP) que permite o Ministério da Fazenda repassar R$ 30 bilhões para essas operações financeiras por meio do BNDES.

O Move Brasil será voltado para taxistas e motoristas de plataformas como Uber, 99 e iFood, desde que tenham feito ao menos 100 corridas no espaço de um ano.

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O ponto de corte, que representa mais ou menos duas corridas por semana, é uma tentativa do governo de restringir o programa a pessoas com habitualidade na profissão, mesmo que não trabalhem todos os dias. Existe a preocupação de evitar cadastros por parte de motoristas interessados apenas em crédito mais barato a partir do lançamento.

Simulação de financiamento do Move Brasil

José dos Santos Santana Jr. advogado especialista em Direito Empresarial e sócio do escritório Mariano Santana Sociedade de Advogados, fez uma uma simulação considerando os valores das parcelas e o total pago em um financiamento de veículos pelo programa Move Brasil nos valores de R$ 100 mil e R$ 150 mil.

O especialista levou em conta operações sem entrada e os juros divulgados do programa da nova linha de crédito (12,6% ao ano para homens e 11,5% ao ano para mulheres). Com os resultados obtidos, o advogado fez uma comparação com o financiamento tradicional, tendo como referência a taxa média de mercado próxima de 24,2% ao ano (1,82% ao mês) — baseada em médias recentes de financiamento automotivo para pessoa física.

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Também foi simulado o valor de aluguel, considerando uma faixa média próxima de R$ 3 mil por mês para veículo usado por motoristas de aplicativo — categoria sedã compacto automático.

No programa Move Brasil, para veículos de R$ 100 mil, mulheres pagariam ao longo de 72 meses — prazo máximo de parcelamento da nova linha de crédito — um total de R$ 136.806. No mesmo período, homens desembolsariam R$ 140.485. A diferença, neste caso, seria de R$ 3.679.

Já no financiamento de veículo tradicional de mesmo valor, o motorista — de ambos os sexos — pagaria um total de R$ 180.349 ao longo de 72 meses. Nesse caso, a linha de crédito do Move Brasil garantiria às mulheres uma economia de quase R$ 44 mil e para os homens de R$ 40 mil.

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— O dado que chama a atenção é que, no carro de R$ 100 mil, o programa coloca a prestação entre R$ 1.900 e R$ 2 mil, abaixo do aluguel médio usado por motoristas de aplicativo (que seria de R$ 3 mil por mês). Já no financiamento tradicional, a parcela sobe para cerca de R$ 2.500, aproximando-se do aluguel — afirma o advogado José dos Santos.

O especialista também fez simulações com o valor de R$ 150 mil. Considerando as mesmas condições dos exemplos anteriores, os homens pagariam R$ 210.727 ao longo de seis anos no Move Brasil, e as mulheres, R$ 205.208.

No financiamento tradicional, os motoristas pagariam R$ 270.524 no mesmo período (72 meses). Isso significaria uma economia de R$ 65.300 para as mulheres e de R$ 59.800 para os homens.

— No veículo de R$ 150 mil, a vantagem do programa continua relevante: a economia acumulada pode ultrapassar R$ 65 mil ao longo do contrato.

Ele, no entanto, faz um alerta importante:

— Vale inserir uma ressalva: a comparação (entre financiamentos tradicionais e pelo Move Brasil) mostra apenas o custo do financiamento. O carro próprio ainda adiciona seguro, IPVA, manutenção e depreciação, enquanto parte desses custos costuma estar incluída no aluguel — observa o especialista.