O renomado economista americano e ganhador do Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, classificou as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil como uma "farsa desonesta" com motivações puramente políticas. Em entrevista à BBC News Brasil, Stiglitz argumentou que o governo de Donald Trump busca punir o Brasil por sua crescente independência digital e por resistir a pressões políticas externas, atuando na verdade para defender os interesses de corporações americanas como Visa e Mastercard.
Stiglitz destacou que a oposição americana ao PIX, o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, é um dos pontos centrais da crítica. Segundo o economista, "Washington não gosta da ideia de que o Brasil tenha seu próprio sistema de pagamentos, independente da Visa e da Mastercard". Ele avalia que, embora as tensões comerciais tenham escalado, os custos econômicos das tarifas tendem a ser limitados, e os benefícios proporcionados pelo PIX são "quase certamente muito maiores" do que os prejuízos causados pelas medidas americanas.
O professor da Universidade Columbia também apontou que o presidente americano utiliza barreiras comerciais como forma de pressionar países que não se alinham com seus interesses políticos e econômicos. "Na visão de Trump, é uma audácia se levantar e dizer 'não vamos abrir mão da nossa democracia só para obter melhores condições tarifárias, não vamos capitular'". Stiglitz parabenizou o Brasil por sua postura de não ceder às pressões, comparando a situação a outros países e até mesmo a instituições americanas que, segundo ele, acabaram por "capitular".
Ademais, Stiglitz alertou que a estratégia tarifária adotada pelos Estados Unidos, ao invés de fortalecer sua posição, pode acabar enfraquecendo-a e, paradoxalmente, fortalecer a influência da China na economia global. Ele criticou as justificativas apresentadas pelo governo Trump, especialmente em relação ao combate ao trabalho forçado, argumentando que as tarifas não se baseiam em princípios comerciais sólidos, mas sim em uma agenda política que desconsidera a democracia e os interesses soberanos de outras nações.