O embaixador designado dos Estados Unidos para o Brasil, em sabatina perante o Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, apresentou uma visão preocupada sobre as ameaças que pairam sobre a América do Sul. Ele citou especificamente o perigo representado por organizações criminosas transnacionais, que representam um risco não apenas para as comunidades americanas, mas também para a segurança e estabilidade regionais. Além disso, o diplomata apontou para a "crescente presença de potências externas competindo por influência na região", embora tenha evitado nomear diretamente a China em sua declaração.
Em sua apresentação, o embaixador, que possui fortes laços com o secretário de Estado Marco Rubio, chamou a atenção dos senadores para as "vastas reservas de minerais críticos" localizadas no Brasil. Essa menção sublinha o interesse estratégico dos Estados Unidos nos recursos naturais brasileiros. Ele também abordou as tensões comerciais, criticando as tarifas de importação impostas pelo Brasil sobre o etanol americano. Essa medida, segundo o embaixador, foi um dos argumentos utilizados pelo Escritório de Representação Comercial da Casa Branca (USTR) para justificar a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros em retaliação.
Perez descreveu o Brasil como um parceiro de escala continental, com riquezas naturais extraordinárias e uma crescente importância estratégica. Ele ressaltou que a trajetória do país nos próximos anos "vai modelar a segurança, a prosperidade e influenciar todo o hemisfério". Adotando um tom conciliador, ele fez referência à sua experiência em comunidades diversas no condado de Miami-Dade como um aprendizado para engajar os Estados Unidos em relações de confiança, inclusive com o Brasil.
As prioridades de atuação do novo embaixador foram claramente definidas: a proteção dos cidadãos americanos, o avanço dos interesses comerciais e de investimento dos EUA, a construção de parcerias robustas contra crimes transnacionais e o tráfico de drogas, e o apoio às instituições democráticas, à liberdade de imprensa e de expressão. Ele concluiu afirmando que "um Brasil estável e democrático é um parceiro melhor para os EUA", reforçando a importância de um relacionamento sólido e cooperativo entre as duas nações.
