A OCDE, que reúne nações ricas revisou para cima a previsão de crescimento da economia brasileira e mundial neste ano. No caso do Brasil, a nova estimativa é de avanço de 2%, ante 1,6% feita em junho. Para o mundo, a previsão passou a ser de 2,9%, levemente maior que os 2,8% projetados quatro meses atrás. A economia global tem sido afetada pela guerra no Oriente Médio, diz a instituição, mas os investimentos em inteligência artificial têm amenizado os efeitos do conflito.

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No relatório "Resistindo a choques sucessivos", divulgado nesta quarta-feira, a organização traz um panorama da economia de vários países. Afirma que muitos conseguiram lidar com a alta do preço do petróleo, assegurando crescimento além do esperado, mas alerta para os riscos fiscais.

"O crescimento de várias economias emergentes do G20, como Índia, Indonésia e Brasil, foi sustentado pela resiliência da demanda doméstica e por políticas governamentais que amorteceram o impacto dos preços mais altos da energia sobre famílias e empresas", diz um trecho do relatório.

A resiliência da economia global teve forte relação com os aportes em IA. "Em alguns países, como Estados Unidos, Canadá e Austrália, o crescimento do PIB real no segundo trimestre foi impulsionado pelos investimentos em estruturas para data centers e equipamentos tecnológicos. Isso estimulou o crescimento de países que produzem intensivamente os componentes tecnológicos e de construção relacionados a esses investimentos", afirma o documento, que cita Coreia do Sul, Japão e China.

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Argentina, Canadá e Arábia Saudita foram as únicas entre as economias selecionadas que tiveram queda nas projeções para este ano.

A OCDE, no entanto, alertou para a dependência do crescimento mundial das cifras bilionárias na tecnologia. “Há o risco de que os retornos dos investimentos em IA sejam decepcionantes ou demorem mais para se concretizar”. Além disso, “as crescentes preocupações com a segurança relacionadas à IA também podem desacelerar o desenvolvimento da tecnologia ou sua adoção”, acrescentou o relatório.

Para 2027, a OCDE está menos otimista. Revisou a projeção de crescimeto do PIB do Brasil para 1,9%, ante 2,1% na projeção de junho. Já a economia global deve crescer 3%, 0,1 ponto percentual menos que o projetado anteriormente. Tanto no caso brasileiro como no mundo, as projeções são menores do que o avanço verificado em 2025.

Apesar de o desempenho do PIB estar melhor que o esperado, a OCDE demonstrou preocupação com a inflação. A instituição prevê que ela deve aumentar no curto prazo, refletindo a alta dos preços das commodities, antes de desacelerar gradualmente em 2027, "à medida que a moderação dos preços da energia e uma política monetária mais restritiva contribuam para limitar as pressões".

A inflação do G20 deverá chegar a 4,1% em 2026 e recuar para 3,6% em 2027, nas projeções da instituição. No Brasil, o índice deve subir para 5,1% neste ano e depois recuar para 4,3%. A projeção para o indicador brasileiro em 2026 é 0,7 ponto percentual maior que a feita em junho.

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Segundo o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central do Brasil na segunda-feira e que reúne estimativas de economistas de mercado, a projeção é que a inflação feche 2026 m 4,92% no país.

" Uma normalização mais rápida dos mercados de energia reduziria as pressões inflacionárias e sustentaria a atividade econômica, enquanto novas interrupções, ou interrupções mais prolongadas, poderiam resultar tanto em inflação mais alta quanto em crescimento mais fraco", diz a OCDE.

A organização alerta ainda para o impacto do El Niño, que pode impactar a produção agrícola e elevar os preços dos alimentos, ampliando a pressão sobre a inflação.

Outra preocupação são os rendimentos dos títulos públicos, diante da parcela crescente dos gastos que está sendo destinada ao pagamento de juros da dívida. Stefano Scarpetta, economista-chefe da OCDE, disse que uma das razões para o aumento dos custos de financiamento dos governos é a preocupação com a sustentabilidade das contas públicas.

A organização sediada em Paris alertou para “desafios fiscais cada vez mais prementes” que afetam muitos de seus países-membros.

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O rendimento médio dos títulos de referência de 10 anos dos países do G7 atingiu 4% neste ano pela primeira vez desde 2008. A guerra dos EUA com o Irã e a consequente alta dos preços da energia alimentaram uma onda de vendas de títulos, refletindo a preocupação dos investidores com o aumento da inflação.

A combinação de custos mais elevados de financiamento e da emissão recorde de títulos pelos governos das economias desenvolvidas provocou um aumento das despesas com o serviço da dívida, o que preocupa os formuladores de políticas econômicas.

“O aumento dos rendimentos dos títulos é uma grande preocupação”, disse Scarpetta em entrevista ao Financial Times.