O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), coordenado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), deflagrou nesta terça-feira a Operação Aruana. Com o apoio crucial da Polícia Militar Ambiental e da 21ª Promotoria de Justiça da Comarca de Joinville, a ação teve como alvo 39 investigados por crimes contra a fauna silvestre, falsificação de documentos e participação em organização criminosa. Foram cumpridos um total de 45 mandados de busca e apreensão e 20 mandados de prisão, expedidos pela Vara Estadual de Organizações Criminosas de Santa Catarina.
A abrangência da Operação Aruana demonstrou a complexidade e o caráter interestadual da rede criminosa. As diligências foram executadas em quinze municípios catarinenses, incluindo Balneário Camboriú, Florianópolis, Governador Celso Ramos e Joinville, além de outras cidades em quatro estados: Rio Grande do Sul (Pelotas e Glorinha), Paraná (Curitiba), São Paulo (como Diadema, Guarulhos e São Paulo capital) e Bahia (Lauro de Freitas). Esta ampla mobilização visa desmantelar por completo a estrutura do tráfico.
O principal objetivo da operação é apreender materiais relacionados ao tráfico de animais, documentos falsificados e tudo o que possa comprovar a atuação da organização criminosa. A ação busca reunir elementos que atestem a materialidade dos delitos, identifiquem os responsáveis e verifiquem possíveis situações de flagrante. Os animais resgatados recebem atendimento e proteção imediatos, contando com a assistência de médicos-veterinários disponibilizados pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária. Todo o material apreendido é encaminhado à Polícia Científica para exames periciais e, posteriormente, analisado pelo GAECO para aprofundar as investigações.
Até o início da tarde desta terça-feira, a operação já havia resultado na apreensão de 72 aves, incluindo araras, tico-ticos, sabiás e canários, símbolos da biodiversidade brasileira ameaçada. Em Santa Catarina, foram 24 mandados de busca e apreensão e dois autos de prisão em flagrante, enquanto em São Paulo foram 16 mandados de busca com três autos de prisão em flagrante. O nome 'Aruana', de origem tupi-guarani, foi escolhido por sua significância de 'sentinela da natureza', remetendo à ideia de proteção permanente e vigilância sobre o meio ambiente, em especial às aves que habitam áreas alagadas, como as garças. O GAECO, uma força-tarefa multi-institucional, reafirma seu compromisso na repressão às organizações criminosas e na preservação ambiental.
