O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), coordenado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e com o apoio da Polícia Militar Ambiental, deflagrou na manhã da última terça-feira (3) a Operação Aruana. A força-tarefa tinha como foco principal o combate a crimes contra a fauna silvestre, falsidade documental e a atuação de uma organização criminosa. Foram cumpridos um total de 45 mandados de busca e apreensão e 20 de prisão, direcionados a 39 investigados. A iniciativa visa desarticular uma complexa rede de tráfico de animais que se estendia por diversas regiões do país.
As ordens judiciais, expedidas pela Vara Estadual de Organizações Criminosas de Santa Catarina, foram executadas em uma vasta área geográfica, abrangendo não apenas diversos municípios catarinenses, mas também localidades em outros quatro estados brasileiros: Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Bahia. Em Santa Catarina, a operação alcançou Balneário Camboriú, Florianópolis, Governador Celso Ramos, Itajaí, Joinville, Palhoça, entre outras cidades. No Sudeste, as ações se concentraram em grandes centros paulistas como São Paulo e Guarulhos, enquanto no Sul houve diligências em Curitiba (PR) e Pelotas (RS), e no Nordeste em Lauro de Freitas (BA).
O principal objetivo da Operação Aruana é apreender materiais e documentos relacionados ao tráfico de animais e à falsificação, além de reunir elementos que comprovem a materialidade dos delitos e permitam identificar todos os seus responsáveis. A ação também busca flagrantes envolvendo a posse ilegal de fauna silvestre. Os animais resgatados durante o cumprimento dos mandados recebem atendimento e proteção imediatos, contando com a assistência de médicos-veterinários disponibilizados pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária, que permanecem de plantão para orientar as equipes no manejo dos animais.
Os materiais de interesse investigativo apreendidos são encaminhados à Polícia Científica para exames periciais e emissão de laudos. Até o início da tarde da terça-feira, a operação já havia resultado na apreensão de 72 aves de diversas espécies, incluindo araras, tico-ticos, sabiás e canários. Em Santa Catarina, foram 24 mandados de busca e apreensão cumpridos, com dois autos de prisão em flagrante, enquanto em São Paulo foram 16 mandados de busca, com três prisões em flagrante. O nome “Aruana” foi escolhido por significar “sentinela da natureza” em tupi-guarani, evocando a ideia de proteção da biodiversidade contra o comércio ilegal.
O GAECO é uma força-tarefa multi-institucional conduzida pelo Ministério Público de Santa Catarina, composta por membros da Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar. Sua finalidade é a identificação, prevenção e repressão de organizações criminosas, garantindo a segurança pública e a ordem jurídica no estado e, em operações como esta, em nível nacional. A sinergia entre as instituições é fundamental para o sucesso no enfrentamento de crimes complexos como o tráfico de animais silvestres.
