O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) e do Grupo Especial Anticorrupção (Geac), deflagrou nesta quinta-feira (09) a Operação "Gaiola Digital". A ação visa desarticular uma suposta organização criminosa suspeita de envolvimento em fraudes em licitações públicas, corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes contra a administração pública.

A investigação apura um esquema que teria direcionado licitações para a contratação de sistemas de gestão pública em diversos municípios catarinenses. Segundo as apurações, o método envolvia a aproximação de agentes públicos, a manipulação de editais com cláusulas restritivas e o favorecimento de uma empresa específica, além do pagamento de vantagens indevidas para garantir e manter contratos.

Ao todo, estão sendo cumpridos 17 mandados de busca e apreensão em cidades como Blumenau, Rio do Sul, Lages, Penha, Balneário Camboriú, Canoinhas e Irani. Um dos alvos da operação é o prefeito de Irani, Vanderlei Canci. A estrutura criminosa investigada contava com divisão de tarefas, incluindo articulação com agentes públicos, elaboração de documentos técnicos, operacionalização de pagamentos ilícitos e movimentação financeira para ocultar recursos.

As investigações também identificaram indícios de lavagem de dinheiro, com saques fracionados e transações financeiras para a formação de um caixa clandestino destinado ao pagamento de propinas. A operação teve início a partir de informações obtidas em acordos de colaboração premiada e foi confirmada por um conjunto de provas. O nome "Gaiola Digital" faz referência ao uso de tecnologia para restringir a livre concorrência em licitações de sistemas informatizados para o setor público.