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13.out.2026 às 11h39 Diminuir fonte Aumentar fonte Antonio Batista da Silva Junior Presidente executivo da Fundação Dom Cabral

As crises geopolíticas, climáticas e sociais que o mundo atravessa não saem das páginas de jornais em toda parte do globo e têm algo em comum: suas consequências ultrapassam a capacidade de resposta de qualquer nação ou setor isoladamente.

Para o Brasil, esse cenário é impactante, mas também abre oportunidades. Nossa imensa capacidade de produzir alimentos, a matriz energética sustentável e os recursos naturais estratégicos disponíveis ganham relevância em um mundo que busca segurança alimentar, energia limpa e soluções baseadas na natureza para a transição climática.

A conversão dessas oportunidades em crescimento e desenvolvimento depende de escolhas e de capacidade de execução. Recursos naturais e oportunidades de mercado não resolvem, por si, os entraves de produtividade, qualificação e infraestrutura. Tampouco asseguram que os benefícios do crescimento alcancem a população.

Ao completar 50 anos, a FDC (Fundação Dom Cabral) tem nessa relação entre as necessárias transformações do país e a indispensável formação de suas lideranças uma referência para pensar o futuro. A experiência de uma instituição dedicada à educação de executivos permite reconhecer, tanto a força da boa gestão, quanto os limites de uma atuação restrita às organizações.

O desempenho de uma empresa também depende da qualidade das instituições, das condições de vida nos territórios e da confiança entre os diferentes atores da sociedade.

É por isso que a educação de lideranças empresariais, políticas e sociais precisa ocupar um lugar central na discussão sobre o desenvolvimento brasileiro. São essas lideranças que decidem onde investir, quais prioridades orientarão a ação pública e como mobilizar pessoas e recursos.

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Exige também preparar as pessoas para ouvir perspectivas que questionam suas próprias convicções. Essa formação precisa atravessar fronteiras institucionais.

Líderes empresariais devem compreender os efeitos territoriais de suas decisões e a influência das políticas públicas sobre os investimentos. Líderes públicos precisam conhecer as condições da atividade econômica e os obstáculos que separam uma proposta de política pública de sua execução. Lideranças sociais trazem o conhecimento das comunidades, sem o qual soluções tecnicamente consistentes podem fracassar por falta de legitimidade.

É esse o sentido do movimento que, na FDC, chamamos de "Business Government Community School". Mais do que ampliar o portfólio de uma escola de negócios, trata-se de ampliar a responsabilidade educacional: formar lideranças, produzir conhecimento e criar espaços de aprendizagem e ação entre empresas, governos, sociedade civil e comunidades.

Isso significa reunir diferentes atores para estudar problemas concretos, confrontar diagnósticos, experimentar soluções e avaliar resultados. Cooperação não é sinônimo de consenso. Ela exige explicitar interesses, negociar prioridades, atribuir responsabilidades e cobrar os compromissos assumidos.

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