Uma ampla investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo revelou um esquema complexo de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte público da capital paulista e em esferas políticas. A Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta terça-feira, cumpriu mandados de prisão contra 16 pessoas e de busca e apreensão em 18 endereços em sete cidades, visando desarticular a atuação da facção criminosa em um dos setores mais vitais da metrópole.

De acordo com as apurações, o PCC exerceria controle direto ou indireto sobre 12 das 22 empresas de ônibus que operam em São Paulo. As investigações apontam para suspeitas de interferência em processos licitatórios, contratos públicos e negociações empresariais no ramo de transportes, não apenas na capital, mas em outros municípios paulistas. Entre os alvos de destaque da operação estão Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, e Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da São Paulo Transporte (SPTrans), além de Danilo Marco Morgado Silva (PL), ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e aspirante a deputado estadual.

Milton Leite é apontado em documentos da investigação como peça-chave na operação de empresas ligadas à facção, sendo mencionado como o "dono de fato" da Transwolff, empresa que, segundo a polícia, seria utilizada para lavagem de dinheiro do PCC. Em sua defesa, Leite negou veementemente as acusações, declarou não ter relação com a facção e afirmou que está viajando, mas se apresentará às autoridades em breve. Levi dos Santos Oliveira, ex-dirigente da SPTrans, também foi preso e, segundo a polícia, teria conhecimento das negociações entre empresas de ônibus e membros do PCC, mantendo encontros periódicos para tratar de interesses do setor.

O esquema investigado também envolve suspeitas de direcionamento de licitações em cidades como Cubatão, Leme, São Vicente e Itanhaém, com indícios de pagamento de vantagens indevidas à facção para garantir a vitória de determinados grupos empresariais. A investigação aponta ainda a existência de um "núcleo político" que visaria ampliar o acesso do PCC a recursos públicos e negócios lícitos, possivelmente através do financiamento e apoio a candidaturas. Há também indícios de que a facção pudesse estar expandindo sua atuação para o setor da saúde, discutindo a criação de ONGs para esse fim, e envolvimento em negociações de grande vulto, como a compra de uma empresa de petróleo e transações de drogas e armas.