A Petrobras está avaliando a possibilidade de o Brasil alcançar a autossuficiência na produção de óleo diesel em um prazo de cinco anos. A meta ambiciosa foi anunciada pela presidente da estatal, Magda Chambriard, durante um evento sobre energia. A iniciativa representa uma revisão significativa do plano de negócios da companhia, que anteriormente visava atender a 80% da demanda nacional. Atualmente, o país importa cerca de 30% do diesel consumido, um combustível vital para diversos setores da economia, como transporte, agricultura e logística.

A decisão de buscar a autossuficiência surge em um contexto de crescente volatilidade no mercado global de combustíveis. Conflitos no Oriente Médio, como o que afeta rotas estratégicas de petróleo como o Estreito de Ormuz, têm provocado uma escalada nos preços do barril tipo Brent, referência internacional, que subiu de cerca de US$ 70 para pouco mais de US$ 100. Essa instabilidade global impacta diretamente os custos de importação e os preços internos do diesel, tornando a independência produtiva uma prioridade estratégica para a segurança energética nacional e a estabilidade econômica.

Para concretizar esse objetivo, a Petrobras planeja uma série de ações abrangentes. Entre elas, destacam-se a expansão da Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Ipojuca (PE), que passará de 230 mil para 300 mil barris de diesel por dia. A Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, em conjunto com o Complexo de Energias Boaventura, também terá sua capacidade ampliada de 240 mil para cerca de 350 mil barris diários. Além disso, a estatal está adaptando suas plantas em outras refinarias, como as quatro localizadas em São Paulo, para reduzir a produção de óleo combustível e priorizar a entrega de diesel, considerado o “mote do desenvolvimento nacional”.

A alta recente nos preços do diesel tem gerado preocupação no país. O óleo diesel S10, por exemplo, registrou um aumento de aproximadamente 23% em um curto período, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Diante desse cenário, o governo já implementou medidas para tentar frear a escalada, como a zeragem das alíquotas de PIS e Cofins sobre o combustível e a concessão de subvenção a produtores e importadores. Há ainda negociações em andamento com os estados para a aplicação de um subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel, evidenciando a urgência e a importância da questão para a economia e a sociedade brasileiras.