A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, indicou a iminência de "boas notícias" relacionadas aos preços da gasolina no país. A declaração foi feita durante uma conferência com analistas, sinalizando movimentações estratégicas da estatal em um período de volatilidade global nos mercados de energia. Essa expectativa surge em um contexto de esforços governamentais para mitigar reajustes nos combustíveis, especialmente após a intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio, que impactam diretamente o custo do petróleo.

No início de abril, o governo brasileiro havia implementado um conjunto de medidas para frear a alta dos combustíveis. O pacote incluía subvenções para o diesel e o Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), isenções tributárias para biodiesel e querosene de aviação, além do endurecimento da fiscalização contra práticas de preços abusivos. Essas ações foram uma resposta direta à escalada dos preços do petróleo, impulsionada pela guerra no Oriente Médio e pela restrição no fornecimento global, agravada pelo fechamento do Estreito de Ormuz, via crucial para 20% do transporte internacional da commodity.

Diante desse cenário externo desafiador e da necessidade de garantir a segurança energética nacional, a Petrobras está revisando seu plano de negócios para o quinquênio de 2026 a 2030. O objetivo central é ampliar significativamente a produção interna de diesel e gasolina, visando alcançar a autossuficiência e, consequentemente, reduzir a dependência de importações. Atualmente, o Brasil importa entre 25% e 30% do diesel e aproximadamente 10% da gasolina consumidos, volumes que a estatal busca diminuir com o aprimoramento de sua capacidade produtiva e operacional.

O plano estratégico da companhia projeta que até 85% da demanda doméstica por diesel poderá ser suprida pela produção nacional, através de ganhos de produtividade e expansão das operações. No primeiro trimestre, a taxa de utilização das refinarias da Petrobras atingiu um patamar recorde de 97% no final de março, um salto considerável em comparação aos 89% registrados em dezembro do ano anterior. A estatal também planeja intensificar a produção de gasolina, um movimento estratégico frente ao crescimento das importações do combustível, que em março registraram 335,6 milhões de litros, um aumento de 194% em relação ao mesmo período do ano passado, evidenciando a crescente demanda interna.