O empresário Thiago Miranda, conhecido por sua atuação no mercado publicitário e por ser sócio do Portal LeoDias, focado em entretenimento, tornou-se um dos alvos centrais de uma operação da Polícia Federal. As investigações apontam seu envolvimento em um esquema para orquestrar ataques e difamações contra o Banco Central (BC) e jornalistas, com o objetivo de defender o Banco Master, que teve sua liquidação decretada.
Segundo a PF, Miranda atuou como um dos principais intermediadores no chamado "Projeto DV", sigla referente às iniciais do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Sua função teria sido selecionar e contratar influenciadores digitais para disseminar narrativas críticas ao BC e à sua gestão. A empresa de Miranda, que atende clientes de alto padrão como Gucci e Prada, anuncia especialização em "construção de reputação" e "gerenciamento de crise", o que, segundo a investigação, teria sido aplicado em ações coordenadas.
As conversas obtidas pela Polícia Federal, e divulgadas pela CNN Brasil, revelam que Thiago Miranda não apenas coordenava os influenciadores, mas também tentava obter informações pessoais sobre jornalistas para coagi-los. Um dos casos citados é a tentativa de encontrar "algo no pessoal" da colunista Malu Gaspar, d'O Globo, para impedir reportagens sobre o Banco Master. Miranda admitiu à PF a responsabilidade pela contratação dos influenciadores, descrevendo o serviço como "gestão de crise" com contratos que poderiam chegar a R$ 8 milhões.
Além dos ataques ao BC e à imprensa, a investigação também aponta que Thiago Miranda intermediou o contato entre Daniel Vorcaro e o pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). O senador, por sua vez, declarou que a relação era estritamente profissional e voltada à cobrança de investimentos em um filme sobre Jair Bolsonaro. A defesa de Thiago Miranda negou veementemente a prática de qualquer ilegalidade, afirmando que seu cliente sempre atuou com legalidade e transparência, e que a presunção de inocência deve ser respeitada.
