A Polícia Federal (PF) apresentou detalhes sobre os vínculos pessoais e políticos do senador Jaques Wagner (PT-BA) com o Banco Master, indicando uma relação de confiança que teria facilitado o trâmite de interesses da instituição financeira no Congresso Nacional. A investigação aponta que o parlamentar mantinha uma forte ligação com Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do banco, conhecido como "Guga", e Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição. Essa proximidade, segundo a PF, teria estabelecido canais diretos para discussões sobre pautas legislativas e operações financeiras de interesse do Master.
As apurações da corporação revelam um intenso intercâmbio entre Wagner e Augusto Lima, com 74 ligações registradas entre novembro de 2023 e maio de 2025, totalizando mais de cinco horas de conversas. Além das comunicações telefônicas, a PF identificou encontros familiares, viagens e demonstrações de proximidade, como um fim de semana passado na "Ilha da Paixão", imóvel sob controle de Augusto Lima, com deslocamento em aeronave ligada ao empresário. A investigação sugere que o senador teria sido beneficiado com vantagens econômicas, incluindo a tratativa para a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões, em possível contrapartida à sua atuação parlamentar em favor do banco.
Documentos divulgados pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), detalham a "longa e duradoura" relação entre Wagner e Augusto Lima. Mensagens trocadas entre eles e seus círculos próximos indicam um padrão de envio de notícias sobre os negócios e avanços do Banco Master, como alterações na estrutura acionária, melhorias na nota de crédito e negociações com o BRB. O senador reagia frequentemente com emoticons de aprovação às informações recebidas. A PF também aponta o acompanhamento direto de Wagner na chamada "Emenda Master" (PEC 63/2023), que propunha a ampliação da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Os investigadores também analisaram mensagens que sugerem o uso de aeronaves e a entrega de presentes, como ingressos para shows de alto valor. Em uma das mensagens, Daniel Vorcaro teria solicitado discrição sobre um voo possivelmente utilizado por Wagner, pedindo uma aeronave "que ninguém conheça". O advogado-geral da União, Jorge Messias, foi citado em uma tentativa de reunião articulada por Wagner em seu gabinete no Senado, descrita como um local "mais protegido e discreto", mas ele negou ter participado do encontro com Augusto Lima. A PF considera que Vorcaro via Wagner como um "aliado político" no Congresso, cujas articulações transcendiam o mero acompanhamento legislativo.
