A Polícia Federal deflagrou a "Operação Narco Fluxo" para desarticular uma organização criminosa especializada na movimentação ilícita de valores, que teria movimentado aproximadamente R$ 1,6 bilhão em menos de dois anos. As investigações apontam para o papel central de figuras proeminentes do cenário musical e de influenciadores digitais, incluindo o funkeiro Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, e Raphael Sousa Oliveira, proprietário do portal Choquei. Ambos são investigados por integrar o esquema que utilizava a indústria do entretenimento como fachada para operações financeiras fraudulentas.
O modus operandi da organização, descrito pelos investigadores como um "escudo de conformidade", consistia em usar a projeção artística e o alto engajamento dos envolvidos para naturalizar volumosas movimentações financeiras. O objetivo era dissimular a origem de recursos obtidos por meio de atividades criminosas como tráfico de drogas, jogos de azar e rifas digitais, apresentando-os como receitas legítimas do setor artístico. MC Ryan SP é apontado como um elemento crucial nessa estratégia de projeção pública, valendo-se de sua vasta base de seguidores para conferir uma aparência de legalidade ao patrimônio e mitigar alertas de fiscalização.
As apurações da Polícia Federal também indicam uma possível conexão do esquema de lavagem de dinheiro com o Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior facção criminosa do país. O elo entre os dois mundos seria Frank Magrini, identificado como operador financeiro da organização. Há indícios de que Magrini teria financiado o início da carreira de Ryan SP em 2014, mantendo uma relação que envolvia o pagamento sistemático de "mensalidades" por locais comerciais do grupo. Para ocultar a origem do dinheiro, a investigação identificou três eixos principais: pulverização dos valores, dissimulação das transações e a interposição de terceiros.
A "Operação Narco Fluxo" cumpriu 33 de 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em diversos estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Distrito Federal. Além disso, foram determinadas medidas de bloqueio patrimonial, como o sequestro de bens e a imposição de restrições societárias, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e preservar ativos. A ação resultou na apreensão de diversos veículos de luxo, com valores estimados em R$ 20 milhões, buscando descapitalizar a estrutura criminosa que também utilizava criptoativos para suas transações.
Em nota, a defesa de MC Ryan SP afirmou não ter acesso ao procedimento sigiloso, mas ressaltou a "absoluta integridade" do artista e a lisura de suas transações financeiras. A defesa de Raphael Sousa Oliveira, por sua vez, esclareceu que seu vínculo com os fatos investigados decorre "exclusivamente da prestação de serviços publicitários por meio de sua empresa", negando participação em esquema ilícito e assegurando que sua atuação se deu dentro da legalidade.
