O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil alcançou a marca de R$ 12,7 trilhões no ano de 2025, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse resultado posiciona o país como a sexta economia com maior crescimento entre as 16 nações do G20 que já consolidaram e publicaram seus indicadores de desempenho para o período. A agropecuária destacou-se como o principal motor impulsionador do PIB nacional, contribuindo significativamente para essa expansão econômica.
Contudo, apesar de registrar o quinto ano consecutivo de expansão, o desempenho do PIB brasileiro em 2025 apontou uma desaceleração no ritmo de crescimento. Enquanto em 2024 a economia nacional havia crescido 3,4%, a perda de ímpeto em 2025 foi evidente, especialmente no segundo semestre, quando a atividade econômica permaneceu praticamente estável em relação ao primeiro. A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda atribui essa desaceleração à política de juros altos, que exerceu impacto relevante sobre a atividade e contribuiu para o fechamento do hiato do produto, um indicador da capacidade produtiva sem pressão inflacionária.
Para conter a inflação, que permaneceu acima da meta governamental de 3% durante quase todo o ano de 2025, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) adotou uma política monetária contracionista. Desde setembro de 2024, a taxa básica de juros, a Selic, foi elevada continuamente, atingindo 15% ao ano em junho de 2025, o patamar mais alto desde julho de 2006. Essa elevação encarece o crédito, desestimula investimentos e consumo, visando esfriar a demanda e, consequentemente, reduzir a pressão sobre os preços. Apesar do cenário restritivo imposto pelos juros elevados, o ano de 2025 encerrou com a menor taxa de desemprego já registrada pelo IBGE, um dado que contrapõe o efeito colateral esperado de uma economia em marcha lenta.
Para 2026, as projeções da SPE indicam um crescimento do PIB de 2,3%. Há expectativas de que o Copom inicie um ciclo de cortes na Selic em sua próxima reunião, agendada para março, com o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, avaliando que o cenário geopolítico no Oriente Médio não deverá impactar essa decisão. A expectativa é de uma desaceleração da agropecuária, compensada por um maior ritmo de crescimento nos setores da indústria e de serviços. A provável redução dos juros, a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais – em vigor desde o início do ano – e a expansão do crédito consignado para trabalhadores privados são vistos como os principais incentivos para impulsionar esses setores e sustentar o crescimento econômico.
