O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro alcançou a marca de R$ 12,7 trilhões em 2025, conforme dados divulgados recentemente. Este resultado posicionou o Brasil como a sexta economia com maior crescimento dentro do G20, superando países como os Estados Unidos. O bom desempenho inicial foi impulsionado principalmente pelo setor da agropecuária, que se destacou como o motor da economia nacional no período.

Contudo, a expansão do PIB, que marca o quinto ano consecutivo de crescimento, veio acompanhada de uma significativa desaceleração no ritmo. Essa perda de ímpeto é atribuída, por técnicos do Ministério da Fazenda, à política monetária contracionista, caracterizada por juros altos. A taxa Selic, ferramenta do Banco Central para combater a inflação – que permaneceu acima da meta governamental de 3% ao ano em grande parte de 2025 – chegou a 15% ao ano em junho de 2025, o maior patamar desde 2006, e se manteve assim até o presente momento.

Os juros elevados agem de forma restritiva na economia, encarecendo o crédito e desestimulando investimentos e consumo, um movimento que, segundo especialistas, contribuiu para o “fechamento do hiato do produto” e a consequente diminuição da pressão inflacionária. A perda de fôlego tornou-se mais evidente no segundo semestre do ano passado, quando a atividade econômica permaneceu praticamente estável em comparação ao primeiro. Paradoxalmente, apesar desse cenário de restrição econômica, 2025 registrou a menor taxa de desemprego já aferida.

Para 2026, as projeções indicam um cenário de recuperação. O Comitê de Política Monetária (Copom) já sinalizou a intenção de cortar a Selic em sua próxima reunião, em março. O Ministério da Fazenda estima um crescimento de 2,3% para o PIB, com a expectativa de que a provável redução dos juros dê novo fôlego à indústria e aos serviços, compensando uma desaceleração acentuada na agropecuária. Incentivos adicionais, como a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais e a expansão do crédito consignado para trabalhadores do setor privado, também são vistos como fatores que podem impulsionar o crescimento econômico no próximo período.