A economia do Rio Grande do Sul encerrou o ano de 2025 com um crescimento modesto de 0,9% em relação ao ano anterior, atingindo um Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 753,194 bilhões. Este resultado, divulgado pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), foi influenciado significativamente pela forte retração de 6,8% no setor agropecuário, impactado pela estiagem que assolou o estado. Apesar dos desafios climáticos, o desempenho positivo foi sustentado pelos setores da indústria e de serviços, ambos com um avanço de 1,7% ao longo do período.
O crescimento de 0,9% ficou aquém do registrado em nível nacional, onde a economia brasileira avançou 2,3% em 2025. Segundo Martinho Lazzari, pesquisador do DEE, o cenário econômico gaúcho em 2025 reflete um padrão recorrente, onde a estiagem volta a penalizar a produção rural. Ele destacou que, após um 2024 impulsionado por medidas de auxílio e reconstrução pós-enchente, o estado enfrentou a seca, que afetou diretamente a produção de soja, principal commodity agrícola do Rio Grande do Sul.
Na indústria, o crescimento de 1,7% foi impulsionado pela atividade extrativa mineral (1,4%), pela indústria de transformação (3,1%) e pela construção civil (0,3%). Segmentos como máquinas e implementos agrícolas, alimentos e tabaco apresentaram bons resultados, beneficiados pela retomada de mercados de exportação e abertura de novas praças. No entanto, o setor de eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana recuou 7,1%, em parte devido à redução na geração hidrelétrica causada pela estiagem.
O setor de serviços também contribuiu para o resultado positivo, com alta de 1,7%, liderado por intermediação financeira e seguros (4,1%), transportes, armazenagem e correio (2,6%) e outros serviços (2,2%). O comércio, por sua vez, apresentou um crescimento de 1,3%, com destaque para vendas de hiper e supermercados, artigos farmacêuticos e combustíveis, refletindo o consumo cotidiano da população. Apesar dos avanços, o economista-chefe da Fiergs, Giovani Baggio, ressaltou que o setor industrial poderia ter apresentado um desempenho ainda melhor sem o impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
