A educação constitui um dos principais instrumentos de transformação social, desenvolvimento econômico e redução das desigualdades. Nesse contexto, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) oferece dados importantes para avaliar a aprendizagem de adolescentes e refletir sobre a qualidade dos sistemas educacionais. Os resultados de 2025, divulgados na semana que passou, reacendem o debate sobre os avanços e as limitações da educação brasileira, especialmente no que diz respeito à matemática e à compreensão leitora.
Embora o Brasil apresente progressos ao longo das últimas décadas, seu desempenho expõe que ainda é necessário fortalecer políticas públicas capazes de garantir uma formação escolar de qualidade para todos. O baixo desempenho em Matemática e Leitura escancara a necessidade de investimentos contínuos na educação básica. Nesse cenário, o Ceará oferece experiências relevantes de políticas educacionais, mas também precisa enfrentar os desafios da aprendizagem e da equidade.
É importante, antes de tudo, reconhecer os progressos alcançados pelo Brasil. Segundo o Ministério da Educação, o País está entre as dez nações que mais avançaram em educação de 2006 a 2025. Esse resultado indica que políticas de ampliação do acesso à escola e de melhoria da qualidade do ensino produziram efeitos positivos. Contudo, o avanço histórico não deve ser confundido com a superação dos problemas educacionais.
O Brasil obteve 377 pontos em Matemática, 408 em Leitura e 409 em Ciências, abaixo das médias da OCDE nas três áreas. Em Matemática, o País ocupou a 71ª posição entre 89 participantes, enquanto apenas 28% dos estudantes alcançaram o nível básico de proficiência. Em Leitura, aproximadamente 49% atingiram esse patamar, o que significa que mais da metade dos adolescentes avaliados não desenvolveu as habilidades mínimas esperadas para compreender textos e utilizar informações de maneira adequada.
Assim, a Matemática se apresenta como um dos principais obstáculos à qualidade da educação brasileira. O baixo desempenho nessa área compromete não apenas a aprendizagem de conteúdos escolares, mas também a capacidade de resolver problemas, interpretar informações e tomar decisões no cotidiano. Paralelamente, as dificuldades de leitura prejudicam o desempenho em todas as disciplinas, uma vez que compreender enunciados, textos científicos e informações diversas é essencial para aprender. Portanto, a melhoria da educação exige uma abordagem integrada, que valorize tanto o raciocínio matemático quanto a formação de leitores proficientes.
Desse modo, a consolidação de uma educação de qualidade exige investimentos permanentes, valorização dos profissionais do magistério, fortalecimento da Leitura e da Matemática e políticas que garantam oportunidades de aprendizagem a todos os estudantes. Mais do que celebrar avanços ou lamentar posições em rankings internacionais, é necessário transformar os resultados do Pisa em instrumentos de reflexão e ação. n
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