O Pix por aproximação, modalidade de pagamento instantâneo que prometia agilizar transações, completou um ano de existência neste sábado (28) enfrentando o desafio de conquistar o público brasileiro. Criada para oferecer mais rapidez e praticidade, a funcionalidade ainda registra baixos índices de adesão, indicando que sua consolidação no mercado financeiro demandará tempo e esforços adicionais para atrair a confiança e o interesse dos usuários.

Conforme dados recentes divulgados pelo Banco Central (BC), o Pix por aproximação representou apenas 0,01% do total de transações e 0,02% do valor movimentado via Pix no mês de janeiro. Das 6,33 bilhões de transferências Pix realizadas no período, somente 1,057 milhão foram efetuadas por meio da aproximação de celular a uma maquininha ou tela. Em termos financeiros, R$ 568,73 milhões foram movimentados nessa modalidade, em um universo de R$ 2,69 trilhões em janeiro. Apesar da baixa participação relativa, a modalidade demonstra um crescimento exponencial, saindo de apenas 35,3 mil transações em julho de 2022 para superar a marca de 1 milhão em novembro do ano passado, com volumes financeiros saltando de R$ 95,1 mil para R$ 133,151 milhões no mesmo período.

Especialistas apontam que restrições de segurança impostas pelo Banco Central e limites operacionais contribuem para a lenta adesão inicial do Pix por aproximação. No entanto, há um otimismo crescente quanto ao seu potencial. Gustavo Lino, diretor executivo da Associação dos Iniciadores de Transação de Pagamento (Init), ressalta que o amadurecimento da oferta e a ampliação dos casos de uso, especialmente no ambiente corporativo, podem impulsionar significativamente sua popularidade. Ele enfatiza que o modelo reforça a direção de evolução do Pix para pagamentos de alta recorrência e em pontos de venda com grande fluxo de pessoas, mantendo a confiança como um pilar fundamental.

O diferencial do Pix por aproximação reside na sua rapidez e simplicidade. Diferente do método tradicional, que exige a abertura do aplicativo bancário, inserção de chave ou leitura de QR Code e digitação de senha, a modalidade por aproximação simplifica o processo. Basta ativar a função NFC (Near Field Communication) no smartphone, abrir a carteira digital ou o aplicativo da instituição financeira e encostar o aparelho na maquininha ou tela. Essa experiência de pagamento, similar à dos cartões por aproximação, visa reduzir filas em comércios movimentados. Para inibir fraudes, o Banco Central estabeleceu um limite padrão de R$ 500 para transações via Google Pay, enquanto os aplicativos das instituições financeiras permitem que o correntista ajuste esses limites, oferecendo mais controle e segurança.

É importante notar que diversas instituições financeiras utilizam o Pix por aproximação para oferecer o Pix pago com cartão de crédito. Nestes casos, o usuário deve estar ciente da incidência de juros sobre a transação. Embora o Banco Central tenha desistido de regulamentar uma modalidade de “Pix Parcelado”, os bancos podem oferecer opções similares, como “Pix no Crédito” ou “Parcele o Pix”, que permitem o parcelamento com encargos. O foco do Pix por aproximação, entretanto, permanece na agilidade e na conveniência para pagamentos diretos, com a segurança sendo uma prioridade constante no desenvolvimento das jornadas de pagamento.