A modalidade de Pix por aproximação, desenvolvida para agilizar transações, completou seu primeiro ano de funcionamento com o desafio de conquistar o interesse do público. Dados recentes do Banco Central (BC) revelam que, em janeiro, as transferências realizadas por meio dessa funcionalidade representaram apenas 0,01% do total de transações Pix e 0,02% do valor movimentado. De um total de 6,33 bilhões de transferências Pix no mês, somente 1,057 milhão foram efetuadas pela aproximação do celular a maquininhas de cartão ou telas de computador, movimentando R$ 568,73 milhões de um total de R$ 2,69 trilhões.

Gustavo Lino, diretor executivo da Associação dos Iniciadores de Transação de Pagamento (Init), atribui a lenta adesão às restrições de segurança impostas pelo Banco Central e aos limites operacionais. No entanto, Lino destaca uma tendência de expansão da modalidade nos últimos meses, principalmente entre empresas. Segundo ele, o potencial é considerável, sobretudo à medida que a oferta amadurece e passa a suportar mais casos de uso, incluindo o ambiente corporativo, sem comprometer a confiança. A consolidação da oferta pelo comércio e empresas deve impulsionar o uso, especialmente em pontos de venda com grande volume de filas, reforçando a evolução do Pix para pagamentos de alta recorrência.

Historicamente, o crescimento do Pix por aproximação tem sido exponencial. Nos primeiros meses após seu lançamento, o número de transações era significativamente menor, mas ultrapassou a marca de 1 milhão em novembro. Os montantes movimentados também cresceram expressivamente: de R$ 95,1 mil em um dos primeiros meses, saltou para R$ 1,103 milhão no mês seguinte, atingindo R$ 24,205 milhões em novembro e R$ 133,151 milhões em dezembro, culminando nos R$ 568,73 milhões de janeiro. Essa trajetória indica uma curva ascendente que os especialistas esperam ver consolidada.

Para garantir a segurança dos usuários e coibir fraudes, o Banco Central estabeleceu um limite padrão de R$ 500 para cada transação Pix por aproximação realizada via Google Pay, a carteira digital dominante em dispositivos Android. Contudo, quando a transferência é feita diretamente pelos aplicativos das instituições financeiras – que são obrigadas a oferecer a modalidade – os limites podem ser ajustados pelo correntista, que tem a opção de diminuir o valor por transação e definir um máximo diário. A principal vantagem do Pix por aproximação reside na sua rapidez e simplicidade: basta abrir a carteira digital ou o aplicativo do banco e encostar o celular (com a função NFC ativada) na maquininha ou tela, eliminando etapas como escanear QR Code e digitar senha, aproximando a experiência dos pagamentos com cartões de débito e crédito por aproximação. É importante notar que algumas instituições oferecem o Pix parcelado ou Pix no crédito com juros, e os usuários devem estar atentos a essas condições.