A modalidade de Pix por aproximação completou um ano de existência no cenário financeiro brasileiro, enfrentando o desafio de conquistar maior adesão entre os usuários. Dados recentes do Banco Central (BC) revelam que, apesar da agilidade prometida, essa forma de pagamento ainda representa uma parcela mínima do universo Pix. Em janeiro, as transferências por aproximação corresponderam a apenas 0,01% do total de transações e a 0,02% do valor movimentado, indicando um longo caminho para sua popularização plena.
No mês passado, de um total de 6,33 bilhões de transações Pix realizadas, apenas 1,057 milhão foram efetuadas pela aproximação do celular a terminais de pagamento ou telas de computador. Em termos de valores, a modalidade movimentou R$ 568,73 milhões, frente a um total de R$ 2,69 trilhões registrados pelo Pix em janeiro. Especialistas do setor apontam que restrições de segurança e limites operacionais, estabelecidos pelo próprio Banco Central, contribuem para uma adoção mais lenta, gerando um ambiente de cautela na implementação e no uso da tecnologia.
Apesar da baixa participação inicial, a funcionalidade de pagamento por aproximação tem exibido uma tendência de crescimento nos últimos meses. Em julho do ano passado, por exemplo, o número de transações era de apenas 35,3 mil, saltando para mais de 1 milhão em novembro. Os montantes movimentados também cresceram exponencialmente, de R$ 95,1 mil para R$ 133,151 milhões em dezembro. Esse avanço sinaliza um potencial considerável, especialmente no ambiente corporativo e em pontos de venda com alta recorrência de pagamentos, onde a agilidade é um diferencial estratégico para otimizar o fluxo de caixa e reduzir filas.
Para mitigar riscos de fraudes, o Banco Central estabeleceu um limite padrão de R$ 500 para transações via Pix por aproximação utilizando carteiras digitais, como o Google Pay. Contudo, quando a operação é feita diretamente pelos aplicativos das instituições financeiras, que são obrigadas a oferecer a modalidade, os limites podem ser personalizados pelo correntista, permitindo a diminuição dos valores por transação e diários. A grande vantagem do Pix por aproximação reside na sua simplicidade e rapidez, eliminando a necessidade de escanear QR codes ou inserir chaves manualmente, bastando ativar a função Near Field Communication (NFC) no smartphone e aproximá-lo do dispositivo de pagamento. Além disso, instituições financeiras têm explorado variações, como o Pix pago com cartão de crédito, que, embora ofereça parcelamento, geralmente implica a cobrança de juros.
