O projeto do Partido Liberal (PL) para solidificar a presença do bolsonarismo no Rio de Janeiro, visando as próximas eleições, encontra-se em xeque. O que antes era um plano bem traçado para garantir um palanque forte no terceiro maior colégio eleitoral do país, agora exige recalcular a rota às pressas devido a uma série de reveses. A estratégia inicial envolvia a ascensão de Douglas Ruas, então secretário das Cidades e deputado estadual pelo PL, à presidência da Assembleia Legislativa (Alerj) e, posteriormente, a um cargo de destaque no governo estadual, com vistas a ganhar projeção.

Contudo, em um intervalo de seis meses, a realidade se distanciou drasticamente das expectativas. O então governador Cláudio Castro, peça-chave na articulação, tornou-se inelegível e, posteriormente, viu-se envolvido em operações policiais, forçando sua saída do páreo. Outro nome importante, Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo, foi preso sob suspeita de lavagem de dinheiro e agora utiliza tornozeleira eletrônica. Douglas Ruas, embora tenha assumido a presidência da Alerj, não conseguiu alcançar o posto máximo do Executivo estadual e enfrenta dificuldades em pesquisas eleitorais para o governo, com o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) liderando com folga.

Flávio Bolsonaro, que tem lidado com questões nacionais, viu uma ala do PL fluminense alertar sobre a lentidão na definição de nomes para compor a chapa. A pressão aumentou, levando a uma decisão antecipada sobre um dos nomes para o Senado: Carlos Portinho foi escolhido, com um discurso considerado mais moderado, visando expandir o eleitorado para além da base radical bolsonarista. A outra vaga, originalmente destinada à Federação União Progressista, ficou com o vereador carioca Leniel Borel (PP), pai de Henry Borel, que adota a bandeira da defesa dos direitos de crianças e adolescentes, um tema que os bolsonaristas buscam capitalizar.

O cenário político fluminense se mostra cada vez mais complexo e interligado. O PP, embora a princípio alinhado a Flávio Bolsonaro, demonstra divisões internas, com parte da sigla flertando com Eduardo Paes. O vice na chapa de Ruas, Rogério Lisboa, também estaria sendo cortejado por Paes. A situação se complica ainda mais com a irmã de um cacique do MDB, que apoia Flávio, sendo vice na chapa de Paes e alvo de investigação da Polícia Federal. Enquanto isso, a disputa pelo governo estadual se desenrola, com Ruas buscando usar a presidência da Alerj para impulsionar sua candidatura e se colar à imagem de "moralizador" e "linha dura" na segurança pública, em uma tentativa de reverter seu baixo desempenho nas pesquisas.

O temor dos bolsonaristas reside na possibilidade de Eduardo Paes vencer a eleição para governador já no primeiro turno. Tal resultado o liberaria para concentrar seus esforços na reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um estado crucial para o grupo político, como demonstrado na apertada vitória do petista em 2022, onde Jair Bolsonaro obteve uma vantagem significativa.