Em um canteiro de obras, cada detalhe importa. O uso correto do EPI (Equipamento de Proteção Individual), o cumprimento das normas, a atenção redobrada às tarefas em altura. Mas existe um cuidado que começa antes mesmo de vestir o capacete: o cuidado com a própria saúde.

É com essa visão que o Programa Obra Mais Segura, certificação concedida pela FIESC/SESI-SC, vem ampliando sua atuação nas obras certificadas. Mais do que reconhecer empresas que cumprem rigorosos padrões de segurança, o programa também oferece ações gratuitas de promoção à saúde para os trabalhadores.

A lógica é simples: a empresa certificada pode solicitar, sem custo, palestras e atividades sobre temas que impactam diretamente a vida dos colaboradores. São cerca de 25 assuntos disponíveis, escolhidos conforme a necessidade de cada obra. As ações acontecem durante o Diálogo Diário de Segurança (DDS), em encontros rápidos, mas profundamente transformadores.

De acordo com a coordenadora estadual do programa, Fernanda Retzem, todas as obras certificadas têm direito a solicitar ações voltadas à saúde do trabalhador. A medida atende a uma demanda histórica do setor da construção civil, que identificou a necessidade de ampliar o cuidado com a saúde dos profissionais e de suas famílias.

Em Itapema, a Dallo Empreendimentos, com obras certificadas pelo programa, recebeu recentemente uma dessas ações. O tema: tabagismo e alcoolismo. Quem conduziu o encontro foi Diego Quevedo, orientador de atividades físicas do SESI Itajaí. Com uma abordagem dinâmica e direta, ele provocou reflexão desde os primeiros minutos.

Conforme Diego, cigarro não impacta apenas o pulmão — impacta o coração, a disposição, a saúde sexual, o bolso e a convivência com a família. A ação destacou os impactos financeiros e familiares decorrentes do vício, estimulando a reflexão sobre qualidade de vida e prevenção.

“Dez reais por dia dão mais de três mil e seiscentos por ano. Se fumar duas carteiras, passa de sete mil reais. É dinheiro que poderia estar na viagem para ver a família ou na compra de algo para os filhos. Vale a pena trocar isso pelo cigarro?”, lembrou Diego.

Ao falar sobre álcool, Diego reforçou a relação direta com a segurança no canteiro. “Aqui, qualquer descuido pode custar uma vida. Imagina trabalhar em altura sem estar com reflexo 100%. Todo mundo quer que os trabalhadores voltem bem para casa. Se empresa está parando 20 minutos para falar disso é porque se importa”. A mensagem não foi de imposição, mas de escolha. “Quem toma a decisão de parar é vocês. Não é o médico, não é a empresa. E quanto antes essa decisão vier, maiores as chances de evitar um sofrimento lá na frente.”

A proposta do programa não é apontar erros, mas abrir espaço para reflexão. Ao abordar saúde masculina, prevenção, qualidade de vida e hábitos saudáveis, a ação reforça que segurança também é cuidar do corpo e da mente. Para o engenheiro Henrique Vieira, da Dallo, interromper a rotina da obra para tratar desses temas é um gesto de responsabilidade. Segundo ele, informação e diálogo são ferramentas fundamentais para fortalecer a cultura de cuidado.

O técnico de segurança do trabalho, Gleidsion de Souza Paula, destaca que integrar saúde ao DDS amplia o conceito de prevenção. Segurança não se limita a evitar quedas ou acidentes imediatos, envolve criar condições para que cada trabalhador tenha qualidade de vida hoje e no futuro.