Os dados mais recentes sobre criminalidade no Brasil indicam uma redução de 5,4% nos registros oficiais de estupro durante o ano de 2025. Essa estatística, à primeira vista, poderia ser interpretada como um avanço na segurança pública e na redução da violência sexual no país.
Contudo, um outro indicador acende um forte sinal de alerta para as autoridades e a sociedade civil: o aumento expressivo nos atendimentos relacionados a agressões sexuais na rede de saúde. Profissionais de saúde e especialistas apontam que essa elevação nos atendimentos pode ser um reflexo direto da subnotificação dos casos de estupro, que acabam não se convertendo em registros policiais formais.
A discrepância entre a queda nos registros oficiais e o aumento na procura por serviços de saúde para lidar com as consequências de crimes sexuais sugere que a violência contra a mulher, especificamente o estupro, pode ser um problema ainda mais grave do que as estatísticas criminais indicam. A subnotificação é um desafio histórico, dificultando a formulação de políticas públicas eficazes e a alocação adequada de recursos para prevenção e combate.
Especialistas em segurança pública e direitos humanos pedem uma análise mais profunda dos dados e a implementação de medidas que incentivem as vítimas a denunciarem os crimes, além de um fortalecimento dos canais de apoio e acolhimento. É fundamental que os serviços de saúde e as forças de segurança trabalhem de forma integrada para garantir que todas as vítimas recebam o suporte necessário e que os agressores sejam devidamente responsabilizados.