As relações comerciais entre Brasil e Argentina enfrentam um cenário de retração, com as exportações brasileiras para o país vizinho apresentando uma queda expressiva de 18,1% nos últimos 12 meses. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), essa diminuição reflete uma mudança significativa no panorama do comércio bilateral, apesar de a Argentina se manter como o terceiro maior parceiro comercial do Brasil.
A análise de especialistas sugere que os fatores que abalam essa relação vão além das discordâncias políticas entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei. O principal motor dessa queda, segundo o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, é o avanço tecnológico e a crescente participação da China no mercado automotivo global. O setor de carros e autopeças, que historicamente domina as exportações brasileiras para a Argentina, tem sentido o impacto da ascensão de veículos elétricos e da produção chinesa.
O cenário se complica com a China assumindo um papel de destaque. O país asiático não apenas se tornou um forte concorrente para os produtos brasileiros no mercado argentino, mas também passou a ser um fornecedor mais relevante para a Argentina, ocupando o espaço que antes pertencia ao Brasil. Essa dinâmica é visível na balança comercial, onde a Argentina perdeu a China como principal origem de suas importações, e o Brasil vê sua participação nas exportações argentinas diminuir.
Enquanto as exportações brasileiras para a Argentina caíram, as importações de produtos argentinos pelo Brasil apresentaram um leve crescimento, impulsionadas também pela indústria automotiva. A Argentina é crucial para o Brasil por ser um comprador significativo de manufaturados, que têm dificuldade em competir em mercados mais avançados. No entanto, a concorrência global, intensificada por tarifas e acordos comerciais entre outras nações, como o acordo argentino com os Estados Unidos, aumenta a pressão sobre esses produtos. A dependência brasileira de importações de trigo argentino também destaca a complexidade e complementaridade da relação, que exige cautela política para não comprometer mercados essenciais como o do Mercosul e da União Europeia.
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