Segundo projeções, os vilões do mês devem ser o grupo de alimentação no domicílio, com expectativa de alta de 1,35%, aponta o economista da FGV (Fundação Getúlio Vargas), André Braz, mantendo o índice elevado apesar de uma leve desaceleração frente a maio.
Outro ponto de atenção é o grupo de habitação, com projeção de alta de 0,91%, também contribuindo para manter a inflação em patamar de alta, apesar da desaceleração.
Entretanto, ainda não se pode dizer que o recuo do petróleo aliviou a inflação no Brasil.
Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda pelo terceiro dia consecutivo nesta quarta-feira (24), diante de sinais de normalização do fluxo no Estreito de Ormuz e avanço nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã após a assinatura do memorando de entendimento.
Acordo EUA-Irã reduz preços de combustíveis no Brasil em junho, mostra IPTLRecuperação em ações de tecnologia alivia mercados globais; petróleo cedeAta do Copom foi mais clara sobre horizonte relevante, diz economista Negociado na Nymex (New York Mercantile Exchange), o petróleo WTI (West Texas Intermediate) para agosto fechou em queda de 3,92% (US$ 2,87), a US$ 70,34 o barril, operando abaixo dos US$ 70 na mínima intradia.
Já a referência internacional, o petróleo Brent para setembro, negociado na ICE (Intercontinental Exchange de Londres), encerrou em baixa de 3,81% (US$ 2,93), a US$ 73,87 o barril.
Olhando para o preço dos combustíveis, o etanol deve ser o principal vetor de queda, com recuo projetado em -5,91% devido ao período de safra. Enquanto isso, a gasolina deve apresentar estabilidade ou leve queda, de modo que o grupo de transportes como um todo deve ser menos negativo do que no mês anterior.
Porém, os especialistas apontam que o IPCA-15 de junho ainda deve refletir os efeitos negativos de altas anteriores, e qualquer alívio vindo da queda internacional dos preços só deve ser sentido em índices futuros.
Adriano Birle, economista responsável pelas análises de combustíveis e resinas plásticas da GEP Brasil, reafirma que junho ainda vai ter impacto do aumento do petróleo e da guerra, com estabilidade no preço da gasolina, e uma queda do etanol.
Por outro lado, ele aponta que o impacto indireto do aumento do diesel ainda deve seguir pelos próximos meses.
Já Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, reforça que, caso ocorra algum alívio do Brent no preço dos combustíveis, será mais na frente.
"E precisamos lembrar que o governo tomou diversas medidas para evitar a elevação dos preços dos combustíveis na bomba", explica.
"Assim, se os preços não subiram por causa dessa intervenção quando o preço subiu, não deveríamos ter grandes expectativas de quedas de preços agora que os preços internacionais dos combustíveis estão caindo", conclui.
