Enquanto o país europeu colhe os frutos de uma cobertura vacinal superior a 80%, o Brasil ainda enfrenta gargalos socioeconômicos e geográficos que impedem a erradicação da doença.
Vacina de HPV não é só para mulheres; veja os benefícios para os homensAutocoleta pode ampliar prevenção ao câncer de colo do úteroCobertura da vacina contra HPV atinge 95,81% na cidade de São Paulo Resultados na Inglaterra A pesquisa, publicada na revista científica The Lancet, analisou dados de mortalidade entre 2001 e 2024. Entre as mulheres vacinadas aos 12 ou 13 anos, a redução da mortalidade foi de 100%. O estudo estimou que, até o final de 2024, o programa nacional de imunização britânico evitou aproximadamente 200 mortes pela doença.
Os pesquisadores destacam que a alta adesão ao programa escolar, que atingiu entre 88% e 90% de cobertura antes da pandemia, foi determinante para o sucesso da estratégia.
Segundo os especialistas, os achados comprovam que a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) de eliminar o câncer cervical como problema de saúde pública é alcançável.
No território brasileiro, o imunizante é oferecido gratuitamente pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de grupos específicos como imunossuprimidos e vítimas de violência sexual.
Embora a cobertura vacinal tenha crescido — passando de 79,1% em 2021 para 86,1% em 2025 entre as meninas —, o país ainda convive com disparidades acentuadas.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) indicam que a prevalência de não vacinação é de 26,4%, variando drasticamente entre os estados. Estados como Rio Grande do Norte e Mato Grosso do Sul registram os maiores índices de adolescentes sem nenhuma dose.
"A vacinação contra o HPV é uma forma de proteção individual, mas que também impacta coletivamente", pondera Dr. Fábio Argenta, diretor médico da Saúde Livre Vacinas.
A expansão da proteção contra o HPV no Brasil enfrenta três obstáculos principais:
Para especialistas, o monitoramento detalhado das desigualdades regionais é essencial para que as políticas públicas alcancem os grupos mais vulneráveis e garantam que o sucesso observado na Inglaterra se repita no Brasil.
