A medicina no Brasil vive um momento de intensa transformação impulsionado pela rápida adoção de novas tecnologias, tanto na rede pública quanto na privada. Gabriel Alencar Coelho, CEO da Hospcom, empresa especializada em tecnologias hospitalares, destaca que a inovação deixou de ser uma promessa futura para se tornar uma realidade concreta, impactando diretamente a qualidade e o acesso aos cuidados de saúde.

A cirurgia robótica, antes restrita a um círculo limitado de instituições, agora expande seu alcance, permitindo a realização de procedimentos cada vez mais complexos e minimamente invasivos. Um dos avanços mais notáveis é a telecirurgia, que possibilita que cirurgiões especialistas controlem robôs remotamente em tempo real. Essa modalidade abre portas para que pacientes em regiões distantes recebam atendimento de ponta, superando barreiras geográficas e democratizando o acesso a procedimentos de alta complexidade.

O Sistema Único de Saúde (SUS) tem sido um importante palco para a incorporação dessas tecnologias. Um marco significativo foi a primeira telecirurgia robótica de longa distância realizada na rede pública, conectando Porto Velho (RO) a Barretos (SP) através da plataforma Toumai™. Paralelamente, o Governo Federal, por meio do PAC Cirurgias, investe na modernização de 229 centros cirúrgicos, equipando-os com videolaparoscopia 4K e outros equipamentos de ponta, visando ampliar a capacidade e a segurança dos procedimentos.

A inteligência artificial (IA) também emerge como uma ferramenta poderosa no setor. Plataformas como a Doutora M.ia auxiliam médicos em mais de 30 especialidades e oferecem suporte aos pacientes. Coelho ressalta que a IA não visa substituir o profissional, mas sim complementar seu trabalho, aumentando a eficiência, a precisão diagnóstica e o acesso à informação em um sistema de saúde frequentemente sob pressão. A integração de sistemas de informação é outro ponto crucial, com 64% das unidades públicas já utilizando prontuários eletrônicos e 72% das UBS integradas à Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), promovendo um fluxo de dados mais coeso e decisões clínicas e gerenciais mais assertivas.