O Rio Grande do Sul registrou, em 2024, a menor taxa de homicídios de sua série histórica, alcançando 15,2 mortes por 100 mil habitantes. Este índice coloca o estado como o quinto com menor taxa de violência letal no Brasil. Os dados foram revelados pelo Atlas da Violência, uma publicação anual elaborada pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O estudo, que analisa indicadores de segurança pública no país, demonstrou uma significativa redução em comparação a 2014, quando a taxa de homicídios no estado era de 24,7 óbitos por 100 mil habitantes, representando uma queda de 38,5%.
A gestão da segurança pública no Rio Grande do Sul atribui esses resultados à maturidade e consistência das políticas públicas de longo prazo implementadas nos últimos anos. O secretário da Segurança Pública, Mario Ikeda, enfatizou que os dados refletem uma estratégia baseada na integração das forças de segurança, inteligência policial e atuação focada, que tem gerado resultados concretos na preservação de vidas e na consolidação de um novo patamar de segurança. Antônio Padilha, secretário-executivo do Programa RS Seguro, reforçou que a política estadual é embasada em evidências, planejamento e prevenção, destacando o trabalho conjunto das instituições de segurança e do Sistema de Justiça Criminal. Além dos homicídios registrados, o estado também apresentou a quarta menor taxa de homicídios estimados do país, com 15,9 por 100 mil habitantes, reforçando a confiabilidade dos dados e demonstrando que a redução da violência é real, e não apenas um efeito estatístico.
As melhorias na segurança pública gaúcha são abrangentes, atingindo diversas camadas da população e localidades. A capital, Porto Alegre, destacou-se com a terceira maior redução na taxa de homicídios estimados entre 2014 e 2024, com uma queda impressionante de 65,1%, passando de 47 para 16,4 por 100 mil habitantes. A análise do Atlas também apontou avanços significativos na proteção de grupos vulneráveis: o Rio Grande do Sul obteve a sexta menor taxa de homicídios de jovens entre 15 e 29 anos, e a quarta menor taxa de homicídios de pessoas negras no país. O risco relativo de uma pessoa negra ser assassinada no estado foi de 1,1, o segundo menor do Brasil, indicando uma importante redução da desigualdade racial nos índices de violência letal.
No que tange à violência contra as mulheres, o estado registrou 201 homicídios em 2024, o menor número da série histórica, com uma taxa de 3,5. Destes, 38 foram de mulheres negras, configurando a sexta menor taxa do país para esse grupo. A violência contra idosos também apresentou retração, com uma taxa de 5,6 homicídios por 100 mil idosos. O uso de armas de fogo foi um fator presente em 71,8% dos homicídios registrados, porém a taxa de crimes com essa característica (10,9 por 100 mil habitantes) colocou o Rio Grande do Sul como o oitavo estado com menor uso letal de armas, com uma redução de 42% em relação a 2014.
Uma constatação notável do levantamento de 2024 foi a inversão dos indicadores de mortes violentas em comparação com a violência no trânsito. Pela primeira vez na série histórica, o Rio Grande do Sul registrou mais óbitos associados a sinistros no transporte terrestre (1.820) do que mortes decorrentes de homicídios (1.701 registrados e 1.782 estimados). Em 2014, o cenário era inverso, com 2.078 mortes no trânsito contra 2.724 homicídios registrados. Essa mudança ressalta não apenas a diminuição da violência letal criminal, mas também aponta para a persistência de desafios na segurança viária do estado, embora os números gerais de mortes no trânsito também tenham diminuído na última década.
