Especialistas brasileiros levantam preocupações sobre as sanções impostas pelos Estados Unidos no combate ao crime organizado, argumentando que as medidas extrapolam o escopo de enfrentamento ao tráfico de drogas e possuem fortes conotações políticas e geopolíticas. Bruno Paes Manso, jornalista e pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP, aponta que essas sanções podem ser vistas como um instrumento para aumentar a influência dos EUA na América Latina e, consequentemente, pressionar a soberania dos países da região.
Adicionalmente, as sanções americanas tiveram um impacto negativo direto nas operações de segurança pública no Brasil. De acordo com informações divulgadas, a antecipação da divulgação das medidas pelos EUA alertou indivíduos investigados, permitindo que alguns fugissem antes do cumprimento de mandados de prisão. Essa falha de comunicação e a divulgação prematura comprometeram investigações e operações planejadas pela Polícia Federal, destacando um problema na colaboração entre os países.
Manso ressalta que, embora a troca de informações seja crucial para a inteligência e o combate ao crime, a abordagem adotada pelos Estados Unidos, com medidas políticas que permitem a interferência na soberania brasileira, não é a ideal. Ele defende que o Brasil tem demonstrado avanços significativos no combate às organizações criminosas, focando no fortalecimento da inteligência financeira e na integração de seus próprios órgãos de investigação.
O pesquisador enfatiza que o principal desafio reside na capacidade de o Brasil acompanhar a evolução do crime organizado, que tem diversificado suas fontes de receita além do tráfico de drogas. O enfrentamento eficaz dessas facções, segundo ele, depende do aprimoramento contínuo da inteligência, do rastreamento financeiro e da cooperação interinstitucional dentro do próprio país, sempre preservando a autonomia nacional na definição e execução de suas políticas de segurança pública.
