Se eleito, como o senhor pretende levar sua atuação na Segurança Pública para o Congresso?

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Precisamos de alguém que realmente conheça a segurança pública. Não falo só do DF, mas no âmbito nacional. A maior preocupação do brasileiro, em qualquer pesquisa que você faça, é com a segurança. Ao mesmo tempo que o Brasil tem os ministérios da Saúde e da Educação, por que não temos o Ministério da Segurança Pública? Não fale para mim que Ministério da Justiça é da Segurança, pois não é. Os ministros que estão lá escalados conhecem muito de Justiça, mas quase nada de segurança pública — que é uma preocupação de todos, não só da esquerda, direita ou centro. Ninguém suporta mais esse distanciamento. Porque vem a pessoa que não conhece nada de segurança e, de repente, é responsável por coordenar as forças de segurança. Por mais que haja um esforço e boa vontade, carece de conhecimento. E esse conhecimento é técnico. Tenho certeza que, se Lula for reeleito, como qualquer outro presidente, vai criar o Ministério da Segurança Pública. Se existia algum tipo de constrangimento sobre esse assunto, não tem mais. Precisamos de segurança pública comandada por quem é da área. Com isso, vamos melhorar os índices no Brasil. Se a segurança pública se resolvesse só com a Polícia Federal, com a Polícia Rodoviária Federal ou com as Forças Armadas, era justificável esse descompasso. Mas a segurança demanda uma integração entre as forças federais, estaduais e municipais.

O senhor acha que pode atuar em um movimento dos congressistas para forçar e incentivar a criação desse órgão?

Tenho certeza absoluta. O parlamento é para você fazer discurso, para você cobrar e denunciar. Hoje, ninguém fala isso. Acho engraçado que, a cada quatro anos, vem o parlamentar que se apresenta como o cara da segurança e traz os mesmos temas que defende há quatro, oito ou 12 anos. Eu teria vergonha de retomar esses assuntos que já foram tratados há duas décadas. Mas, a cada quatro anos, você reforça a incapacidade de movimentar. Não consegue mudar o ciclo, então, tenho certeza de que, estando no Congresso, esse tema da criação do Ministério da Segurança Pública, e outros que afetem a maioridade penal, do criminoso reincidente ou da audiência de custódia, vão avançar.

Foram aprovadas algumas regras, como a Lei Antifacção, o encaminhamento da PEC da Segurança Pública. Acha que vão aprovar nessa legislatura?

Vai ficar para o ano que vem. Mas repara como são as contradições que temos que enfrentar e mudar. São temas sérios e o Brasil está cansado de determinadas brincadeiras. O Brasil se acostumou com essa ideia de eleger pessoas que não têm bandeiras, pessoas cuja bandeira é um umbigo, mas que aprenderam a ganhar a eleição com a estrutura montada. Isso envolve uma série de coisas, como as presidências de partido, deputados escolhidos para serem eleitos em detrimento de outros que, às vezes, têm uma condição muito maior de realmente lutar para trazer boas bandeiras. Quantas pessoas que, nessa minha jornada, às vezes você traz uma bandeira positiva, quer fazer boas entregas, e você acha que a pessoa está te ouvindo, mas, ao final, ela te pede dinheiro.

Tem outro tema também que tem dominado a política no DF, que é o Fundo Constitucional. Houve ameaças de mudança no cálculo do fundo para, de repente, a União mandar menos dinheiro para o DF. Como o senhor vai atuar para defender esse fundo?

Serei o maior defensor do Fundo Constitucional, porque serei o parlamentar do DF que representa as forças da segurança pública e que conhece mais do que ninguém a necessidade do fundo para que a gente mantenha o equilíbrio entre as corporações. Considero que temos cinco pilares na segurança pública do DF, que são Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Penal e Detran. Com esse equilíbrio, geramos o sentimento de integração, de respeito mútuo, fazemos boas entregas para a sociedade. Não é por outra razão que transformamos o DF na unidade da federação mais segura do Brasil.

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário Iesb, é especializada na cobertura de segurança pública e pós-graduada em jornalismo investigativo. Vencedora do Prêmio Sebrae 2025 nas categorias local e regional. Integra a equipe do Correio desde 2018