Presidente do Instituto Igarapé e fundadora da Green Bridge Facility, é mestre em estudos internacionais pela Universidade de Uppsala (Suécia)
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17.mar.2026 às 18h36 Edição Impressa Ouvir o texto Diminuir fonte Aumentar fonte A pesquisa Genial/Quaest da semana passada não deixa margem para equívocos: violência e corrupção lideram as preocupações dos brasileiros, com 27% e 20% das menções. Esses números espelham uma realidade que o cidadão sente na pele —nas ruas, nas escolas, nas fronteiras e, como as investigações sobre o Banco Master revelam, nos corredores do poder.
Segurança pública e integridade institucional precisam ganhar tração e implementação real em todos os níveis de governo —federal, estadual e municipal— de forma simultânea e coordenada.
A aprovação do PL Antifacção é um passo concreto, mas inacabado. A lei ensaia medidas para punir o envolvimento de agentes públicos com facções. Mas o foco continua sendo o executor armado, não o arquiteto financeiro. Dessa forma, combate o sintoma e preserva a doença. Organização criminosa é, antes de tudo, uma empresa —com hierarquia, fluxo financeiro e capacidade de se reinventar quando perde operadores.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública estima em cerca de R$ 350 bilhões a receita anual dessas organizações com combustível adulterado, garimpo ilegal, contrabando de bebidas e cigarros, furto de celulares e crimes virtuais, movimentando mercados de apostas, fintechs e lavagem em setores formais. O tráfico de cocaína contribui com pouco mais de 4% para o negócio das facções.
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A ameaça dos EUA de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas adiciona urgência ao quadro. Especialistas e agentes públicos alertam que isso fragilizaria o Brasil, abrindo brechas para sanções ao sistema financeiro, elevando custos de compliance e fornecendo pretexto jurídico para ações militares norte-americanas em território nacional. Combater o crime organizado demanda colaboração, mas é dever soberano do Estado brasileiro e deve ser respondido com nossa própria capacidade de agir.
Segurança pública e combate à corrupção não são pautas episódicas nem moedas de barganha eleitoral. As investigações sobre o Banco Master ilustram com crueza o que está em jogo: uma organização com quatro núcleos —financeiro, de corrupção institucional, de ocultação patrimonial e de intimidação—, suspeitas de lavagem do crime via fundos de investimento, servidores do Estado corrompidos e uma milícia privada monitorando jornalistas e autoridades.
Temos pouco tempo para agir. O crime organizado já se alastrou de forma ameaçadora na economia formal e na política nacional. Ou o Estado captura o crime ou o crime captura o Estado.
Sem meio-termo, o Brasil ainda tem chance de virar o jogo.
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