Em entrevista ao Hora H, Sanches destacou que a classificação do CV (Comando Vermelho) e do PCC (Primeiro Comando da Capital) como organizações terroristas contribuiu para ampliar a percepção de criminalidade e violência como um dos principais problemas do país.
"Isso também ajuda a crescer um pouco a percepção de criminalidade, de violência como um dos principais problemas e também vai ser uma pauta muito importante para essa eleição", afirmou.
O analista ressaltou que o tema já havia se mostrado um ponto vulnerável no final do ano passado, quando uma megaoperação policial no Rio de Janeiro provocou aumento na desaprovação ao governo federal.
Atlas/Intel: para 55,9%, governo deveria declarar PCC e CV como terroristasGoverno e oposição divergem sobre decisão dos EUA contra PCC e CVAnálise: Decisão dos EUA sobre facções terá impacto eleitoral e geopolítico "Isso fez com que a desaprovação ao governo aumentasse, houvesse ali uma transferência, a aprovação cai e a desaprovação supera", explicou Sanches. Ele também mencionou que Flávio Bolsonaro utilizou o tema para tentar recuperar terreno político após a divulgação de um áudio envolvendo Daniel Vorcaro.
De acordo com os dados da pesquisa, cerca de 50% a 51% dos entrevistados afirmaram que votariam com mais facilidade em um candidato que apoiasse medidas mais duras na área de segurança. Além disso, mais da metade dos brasileiros avalia o desempenho do governo na segurança pública como ruim ou péssimo.
Por outro lado, uma maioria sólida de aproximadamente 74% indicou que o sufocamento financeiro das facções seria a melhor estratégia de combate — o que, segundo Sanches, coincide com a abordagem adotada pelo governo. "Acho que essa pergunta indica erros e acertos, caminhos possíveis para essa eleição, tanto para a oposição quanto para a situação", concluiu.
Sanches também analisou a percepção dos brasileiros em relação a Donald Trump e aos Estados Unidos. Segundo ele, a imagem do país sempre foi vista de forma mais positiva pelos brasileiros, mas essa tendência começou a se reverter com o advento do chamado "tarifaço".
"Com o advento do tarifaço na metade do ano passado, há uma reversão dessa tendência, então a imagem dos Estados Unidos para o brasileiro passa a ser vista de uma forma mais negativa", disse.
Atualmente, uma pequena maioria de 52% dos brasileiros mantém uma imagem negativa dos EUA, o que o analista classifica como uma contaminação da figura de Trump sobre a percepção do país.
Sobre a baixa preocupação dos brasileiros com uma eventual interferência de Trump nas eleições nacionais, Sanches avaliou que se trata de "um pouco de cada" — tanto ingenuidade quanto confiança no sistema eleitoral brasileiro.
Ele citou como exemplos de maior ativismo norte-americano na região o apoio expresso de Trump a um candidato na Colômbia e as movimentações no México para incluir na Constituição um dispositivo que permita anular eleições por interferência estrangeira.
"O momento de olhar mais para o Brasil vai chegar daqui a pouco", alertou Sanches, acrescentando que a foto de Trump com Flávio Bolsonaro e a carta enviada a Marco Rubio são indícios de que a dinâmica ainda está em amadurecimento.
