As discussões sobre segurança pública no Brasil costumam ser pautadas pela urgência dos indicadores de violência, mas raramente se debruçam sobre a gestão financeira que sustenta essas políticas. Mesmo assim, convivemos com discursos populares que afirmam que é preciso maiores investimentos nesta seara, como podemos ver nos discursos eleitorais. Ocorre que a utilização deste debate de forma política e midiática o reduz a compra de melhores e mais armamentos e/ou viaturas mais modernas, construindo uma associação simplista em que investir em segurança pública é direcionar orçamento a equipamentos letais. Somos, portanto, expostos à imagens de grandes operações policiais, em que as corporações lançam mão de seu arsenal bélico militar como casos emblemáticos de sucesso de investimento financeiro.
É sobre o desconforto com tais processos de blindagem e opacidade que esse texto surge. Através das experiências de pesquisa que tem como objetivo mensurar os cursos financeiros de duas “Operações policiais”: a chacina na baixada santista, em 2024, e a do Complexos do Alemão e da Penha, em 2025, o texto se estrutura contando um pouco sobre as operações policiais, uso de recursos financeiros e as reflexões trazidas pelas pesquisadoras..
