O volume de serviços no Brasil encerrou o mês de julho com uma variação nula em relação a junho, indicando um desempenho abaixo do esperado e reforçando sinais de desaceleração na atividade econômica nacional. Na comparação anual, o setor registrou um avanço de 0,9% frente a julho de 2025, um resultado que ficou aquém das projeções de 0,2% para a variação mensal e 1,1% para a anual, segundo dados divulgados pelo IBGE.
O setor de informação e comunicação foi o principal responsável pela estagnação, apresentando um recuo de 2,5% em julho em comparação com o mês anterior. Essa queda devolveu parte do expressivo crescimento acumulado nos meses de abril a junho. Luiz Carlos Almeida, analista do IBGE, destacou que este segmento, que ganhou relevância econômica após a pandemia e representa quase um quarto da pesquisa mensal de serviços, teve sua retração como fator determinante para a estabilidade geral. Almeida ponderou, contudo, que a queda não parece configurar uma tendência de longo prazo, mas sim uma acomodação.
Em contrapartida, outras atividades dentro do setor de serviços apresentaram expansão. Os transportes registraram alta de 0,4%, enquanto os serviços profissionais, administrativos e complementares avançaram 0,6%. O segmento de outros serviços teve um incremento de 0,7%, e os serviços prestados às famílias subiram 0,5%. O índice de atividades turísticas, por sua vez, mostrou recuperação com um crescimento de 2,7% em julho, após perdas nos meses anteriores, embora ainda se encontre abaixo do pico histórico.
A análise geral do setor de serviços aponta para uma "lateralidade" desde o início do ano, sem uma clara tendência de alta ou baixa. Essa dinâmica se reflete nos dados mais amplos do PIB, que indicaram um avanço modesto de 0,2% para o setor no segundo trimestre. A economia brasileira, que tem o setor de serviços como seu principal motor (cerca de 70%), enfrenta um cenário de consumo das famílias em retração e uma taxa de juros Selic ainda elevada em 14%, o que restringe o crédito e o investimento. Especialistas preveem que essa moderação no ritmo de crescimento deve persistir, influenciando decisões futuras de política monetária e adicionando um elemento de incerteza em meio ao ano eleitoral.


