O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a oferecer um novo e importante protocolo para o rastreamento do câncer colorretal. O Ministério da Saúde anunciou a incorporação do teste imunoquímico fecal (FIT), uma ferramenta que visa identificar precocemente casos suspeitos da doença em indivíduos assintomáticos. A implementação deste exame representa um avanço significativo para a saúde pública brasileira, sendo o primeiro de seu tipo a ser integrado em larga escala no país, com previsão de início no segundo semestre.

O anúncio foi feito durante uma agenda internacional do Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em Lyon, na França. Na ocasião, o ministro também formalizou um memorando de cuidado oncológico entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), reforçando o compromisso do Brasil com a pesquisa e o tratamento do câncer. A medida é crucial em um cenário onde o câncer de intestino se posiciona como o segundo mais comum no Brasil, excluindo os cânceres de pele não melanoma, com o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimando 53,8 mil novos casos por ano entre 2026 e 2028.

O teste FIT funciona de maneira simples e eficiente, similar a um teste de gravidez, por meio de uma fita reagente capaz de detectar vestígios de sangue nas fezes que são invisíveis a olho nu. Essa detecção é possível pela identificação da hemoglobina, uma proteína presente nas hemácias do sangue. A presença de sangue nas fezes pode indicar a existência de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou até mesmo o câncer no intestino. Uma das grandes vantagens do FIT é a sua praticidade, pois não exige preparo intestinal prévio e pode ser realizado em casa, além de ter uma precisão de até 92% e ser menos custoso que uma colonoscopia.

É fundamental ressaltar que um resultado positivo no teste FIT não é um diagnóstico de câncer, mas sim um indicativo da necessidade de investigação adicional por meio de outros exames, como a colonoscopia, que pode confirmar ou descartar o diagnóstico de forma precoce. O rastreamento por meio do FIT será direcionado a pessoas assintomáticas na faixa etária entre 50 e 75 anos. Indivíduos que já apresentam sintomas da doença, como sangue visível nas fezes, alterações no hábito intestinal, anemia, perda de peso inexplicada ou dores abdominais, devem procurar atendimento médico imediatamente para a realização de exames diagnósticos específicos, independentemente da idade.