O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fez uma projeção política audaciosa nesta quinta-feira, 16, ao afirmar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem grandes chances de vencer o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas próximas eleições presidenciais. Em coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, o chefe do executivo paulista não apenas previu a vitória de Bolsonaro, mas levantou a possibilidade de que o pleito possa ser decidido ainda no primeiro turno.

A declaração de Tarcísio de Freitas surge no contexto da divulgação de recentes pesquisas eleitorais que pautam o debate político nacional. Um levantamento Genial/Quaest, divulgado na última quarta-feira, 15, mostrou Flávio Bolsonaro com uma liderança numérica sobre Lula em um cenário de segundo turno, registrando 42% das intenções de voto contra 40% do atual presidente, dentro da margem de erro de dois pontos porcentuais. Contudo, no cenário mais provável da primeira etapa da disputa presidencial, Lula ainda aparece à frente com 37% contra 32% de Flávio Bolsonaro.

Para o governador paulista, os números atuais já indicam uma tendência clara no cenário político nacional. "Observe que já houve o cruzamento de linhas e a tendência que a gente vai ver é um derretimento gradual do Lula, um crescimento gradual do Flávio", declarou Tarcísio, reforçando sua convicção. "Tenho certeza que o Flávio será o próximo presidente da República do Brasil. E olhe lá se essa eleição não terminar no primeiro turno", disse, expressando grande otimismo em relação ao desempenho do senador.

Além de comentar o cenário eleitoral, Tarcísio de Freitas aproveitou a ocasião para criticar abertamente a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de abrir um inquérito para investigar Flávio Bolsonaro por suposta calúnia contra o presidente Lula. A representação que originou a investigação alega que o senador publicou uma montagem associando Nicolás Maduro a Lula, com a mensagem de que Lula "será delatado", e vinculou isso ao "fim do Foro de São Paulo", com acusações de ligação a tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e apoio a terroristas e ditaduras.

O governador defendeu que críticas políticas devem ser protegidas pela liberdade de expressão e não podem ser alvo de sanções ou coação judicial. "Crítica política não pode ser também objeto de sanção, não pode ser objeto de coação. Porque senão você tira a liberdade de expressão", argumentou Tarcísio de Freitas. Ele ponderou que, caso se abrissem inquéritos para todas as calúnias recebidas diariamente, a Justiça estaria sobrecarregada, reforçando sua visão de que a ação contra Flávio Bolsonaro seria um excesso.