Economistas do Itaú Unibanco analisaram as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, concluindo que seus impactos tendem a ser mais limitados do que se temia inicialmente. A avaliação se baseia em dois fatores principais: a alíquota efetiva das novas tarifas, que deve ser menor do que a observada em medidas anteriores, e a comprovada capacidade do Brasil de realocar suas exportações para outros destinos comerciais.
"O Brasil é uma economia fechada e os Estados Unidos já não são mais o 'top' parceiro comercial do país. O efeito direto sobre atividade, inflação, é bem mais reduzido do que se temeu lá atrás", explicou o economista Pedro Schneider. Em julho, os EUA anunciaram uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com início previsto para 22 de julho. No entanto, a medida incluiu uma lista de exceções com itens cruciais para a pauta exportadora brasileira, como carne e suco de laranja, o que contribui significativamente para suavizar o impacto geral.
Mesmo com as exceções, o Brasil se posicionará com uma das tarifas mais elevadas impostas pelos americanos, ficando atrás apenas da China, segundo dados da iniciativa Global Trade Alert. A economista Julia Gottlieb, também do Itaú Unibanco, estima que, considerando possíveis sobretaxas adicionais, a tarifa efetiva média sobre os produtos brasileiros ficaria em torno de 20%. Este patamar ainda é inferior aos cerca de 30% registrados no segundo semestre do ano passado. "O que vimos no segundo semestre do ano passado é que houve uma queda relevante das exportações do Brasil para os Estados Unidos, mas você teve uma capacidade de realocação desses fluxos. Aumentou muito a exportação para outros destinos. Acabou que nem teve queda de quantidade exportada. Vai ter setores que vão ser mais prejudicados do que outros. O impacto macro acaba não sendo tão grande, mas é heterogêneo entre os setores", ressaltou Gottlieb.
O cenário econômico global e doméstico também foi abordado pelos economistas. A perspectiva é de que o Federal Reserve americano eleve os juros em setembro e outubro, o que pode fortalecer o dólar e pressionar moedas emergentes como o real. No Brasil, espera-se um crescimento econômico mais moderado no segundo semestre, em decorrência de menor estímulo fiscal e desaceleração do crescimento da renda. Sinais de estabilização no mercado de trabalho podem pressionar a inflação de serviços. Para o IPCA, o Itaú projeta um índice de 5,4% para 2026, ainda acima da meta. Ademais, prevê-se mais uma redução na taxa básica de juros, a Selic, chegando a 14% até o fim do ano.
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