Um estudo inédito divulgado recentemente aponta que a adoção da tarifa zero no transporte público pode representar um avanço significativo no acesso a serviços essenciais de saúde para a população. A pesquisa levanta a hipótese de que a eliminação dos custos com transporte incentivaria um maior deslocamento da população para unidades de saúde, consultas médicas e exames, especialmente para aqueles que enfrentam barreiras financeiras.

A relevância dessa discussão é exemplificada pela rotina de Núbia Sales Veras, uma auxiliar de serviços gerais de 52 anos. Residente da Cidade Ocidental, em Goiás, ela depende diariamente do transporte público para percorrer os cerca de 50 quilômetros que separam sua casa do local de trabalho, localizado no Lago Sul, uma área nobre de Brasília. A jornada de Núbia evidencia como a mobilidade urbana é um componente fundamental para a vida de muitos trabalhadores, que precisam se deslocar para centros urbanos em busca de oportunidades de emprego e para acessar serviços.

O estudo sugere que, ao remover a barreira econômica representada pela passagem de ônibus, mais pessoas teriam a liberdade e a possibilidade de buscar atendimento médico sem a preocupação adicional com o custo do deslocamento. Isso seria particularmente benéfico para idosos, estudantes e famílias de baixa renda, que frequentemente têm seus orçamentos mais apertados e podem adiar ou negligenciar cuidados de saúde por motivos financeiros.

Além do impacto direto na saúde, a tarifa zero pode gerar outros benefícios sociais, como a redução do tempo de deslocamento para o trabalho, o aumento da frequência de uso do transporte público e, consequentemente, a diminuição do tráfego de veículos individuais nas cidades. A proposta, embora ainda em fase de debate e análise, ganha força ao conectar a política de mobilidade urbana com direitos sociais básicos, como o acesso à saúde, promovendo uma visão mais integrada e humanizada das cidades.