O volume de investimentos realizados pelos Estados Unidos em empresas brasileiras registrou uma expressiva queda de 29% em 2025, totalizando US$ 8,4 bilhões. O dado, divulgado pelo Banco Central, representa uma diminuição considerável em relação aos US$ 11,9 bilhões aportados em 2024. Essa retração ocorreu em um cenário de tensões comerciais e políticas protecionistas adotadas pelo governo americano, especialmente a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.
O setor de serviços foi o principal responsável pela queda, com investimentos americanos somando US$ 5 bilhões em 2025, o menor valor desde 2020 e uma redução de 51,2% em relação ao ano anterior. Especialistas atribuem esse desempenho à maior sensibilidade do setor de serviços a fatores externos, como a deterioração das relações comerciais. Segmentos como comércio e serviços financeiros foram particularmente afetados, com quedas anuais de 48% e 71,8%, respectivamente.
Em contrapartida, outros setores da economia brasileira apresentaram desempenho positivo. A agropecuária e a indústria extrativa registraram um aumento de 130,3% nos investimentos americanos, alcançando US$ 1,9 bilhão. Da mesma forma, a indústria recebeu aportes de US$ 1,2 bilhão, com alta de 152,3%, impulsionada pela extração de minerais metálicos e pelas indústrias química e farmacêutica. Esses setores, cujas decisões de investimento são tomadas com maior antecedência, demonstraram resiliência diante das turbulências comerciais.
Especialistas apontam que a política "America First" e a instabilidade gerada pelas tarifas americanas criaram um ambiente de incerteza que desencorajou o fluxo de capital para empresas brasileiras. A lei "One Big Beautiful Bill", sancionada por Trump, visa incentivar investimentos dentro dos EUA, oferecendo benefícios fiscais para empresas que produzam no país. Essa estratégia, combinada com investigações recentes que recomendam novas sobretaxas, sinaliza um cenário de contínuo desafio para as relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos.
