Em meio a um cenário de crescentes tarifas impostas pelos Estados Unidos, o governo brasileiro busca ativamente novos mercados para suas exportações, buscando mitigar os impactos das políticas protecionistas americanas. O programa "Brasil Soberano", que injetou bilhões em crédito subsidiado, é uma das respostas à "guerra comercial" deflagrada pelo ex-presidente Donald Trump. Contudo, a baixa participação do Brasil no comércio exterior global continua sendo um obstáculo considerável para a expansão econômica pretendida.

Mesmo com as sobretaxas americanas, as exportações totais do Brasil apresentaram um crescimento de 3,3% no último ano, totalizando US$ 348,3 bilhões. Esse avanço foi impulsionado por um aumento nas vendas para a China e a União Europeia. No primeiro semestre deste ano, a tendência de crescimento se manteve, com um aumento de 11,5% nas exportações em relação ao mesmo período de 2025, destacando-se um salto de 22% nos valores embarcados para a China.

Apesar da expansão, o Brasil ocupa uma modesta 24ª posição entre os maiores exportadores globais, segundo a Organização Mundial do Comércio (OMC). Esse desempenho é considerado aquém do potencial, visto que países com Produto Interno Bruto (PIB) inferior ao brasileiro figuram à frente na lista de exportadores, como Holanda, Coreia do Sul, México e Polônia. A situação reflete uma "economia relativamente fechada", segundo economistas, que apontam para um excesso de protecionismo à indústria nacional, resistência a acordos bilaterais, alta carga tributária e um ambiente de negócios considerado hostil.

O atual "xadrez tarifário" global, intensificado por novas sobretaxas anunciadas pela Casa Branca contra cerca de 60 economias sob a alegação de uso de trabalho forçado, adiciona mais complexidade. Especialistas como Giorgio Rossi, da Firjan Internacional, alertam para uma mudança de paradigma no comércio global, com aumento da imprevisibilidade. Embora o Brasil tenha finalizado acordos importantes, como o Mercosul-UE, a maior parte de seu comércio exterior ainda não é coberta por tais tratados, contrastando com países latino-americanos que superam 70% de fluxo comercial via acordos. A concentração em commodities e a fragilidade da indústria manufatureira, incapaz de competir em cadeias globais de valor agregado, também limitam a inserção brasileira em segmentos mais dinâmicos do comércio internacional.