As taxas do Tesouro Direto abrem em alta nesta segunda-feira (13), revertendo parte da queda registrada na sexta-feira, em meio a uma nova escalada grave no conflito entre Estados Unidos e Irã ao longo do fim de semana. As duas partes trocaram ataques intensos com mísseis e drones, e Teerã afirmou ter fechado novamente o Estreito de Ormuz, o que fez os preços do petróleo subirem.

O Tesouro Prefixado 2029 avançou de 13,98% na sexta-feira para 14,09% nesta manhã. O Prefixado 2032 subiu de 14,26% para 14,38%, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 avançou de 14,27% para 14,39%.

Nos títulos de inflação, o movimento também foi de alta. O IPCA+ 2032 subiu de 8,08% para 8,11%, o IPCA+ 2040 avançou de 7,53% para 7,57%, e o IPCA+ 2050 subiu de 7,23% para 7,27%.

Segundo a Guarda Revolucionária do Irã, o país atacou instalações militares dos Estados Unidos no Barein e no Kuwait, destruiu sistemas de radar em Omã e atingiu tanques de combustível e depósitos de munição na Base Aérea Príncipe Hassan, na Jordânia, em resposta a ataques americanos realizados no domingo contra sistemas de defesa aérea iranianos, estações de radar costeiras, capacidades de mísseis e drones e pequenas embarcações.

A escalada ocorre no mesmo dia em que o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, mostrou redução na projeção de inflação para 2026. A mediana dos economistas consultados passou a prever IPCA de 5,16% neste ano, ante 5,30% na semana anterior. A projeção para 2027, no entanto, subiu de 4,18% para 4,20%. As estimativas para câmbio, PIB e Selic permaneceram praticamente estáveis, com a expectativa para a taxa básica de juros mantida em 14% ao ano no fim de 2026.

Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, avalia que essa divergência entre os dois horizontes explica a manutenção da Selic no patamar atual. “Essa nova queda da projeção do IPCA de 2026, para 5,16%, melhora a leitura de curto prazo mas perde força diante da elevação da expectativa para 2027, que já alcança 4,20% e sinaliza desancoragem persistente no horizonte mais relevante para a política monetária. Por isso o mercado mantém a Selic em 14% no fim do ano, o que faz existir espaço apenas para um corte adicional”, afirma.

Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, destaca que o alívio do IPCA, que veio bem abaixo do esperado na sexta, tem efeito limitado sobre a parte mais longa da curva, justamente onde a escalada geopolítica deste fim de semana volta a pesar. “Hoje, o alívio do IPCA tem força para deslocar a parte curta da curva, mas ainda não domina os prazos longos. Neles, prevalece uma avaliação mais ampla sobre contas públicas, estabilidade cambial, liquidez internacional e risco geopolítico”, diz.

O dólar opera em alta nesta segunda, cotado a R$ 5,118 na venda, alta de 0,12%, com os investidores atentos à retomada das hostilidades no Oriente Médio.