Um estudo internacional inovador, o ensaio clínico OPTIMA, aponta que a quimioterapia pode ser evitada por um número significativo de mulheres diagnosticadas com câncer de mama em estágio inicial, sem prejudicar as chances de sucesso do tratamento. A pesquisa, que envolveu mais de 4.400 participantes em seis países, utilizou um teste genômico para estratificar o risco de recorrência da doença, abrindo caminho para terapias mais personalizadas.
O foco principal do estudo foram pacientes com câncer de mama sensível a hormônios e com comprometimento de linfonodos próximos, um grupo que tradicionalmente é submetido à quimioterapia como medida preventiva. Utilizando o teste genômico Prosigna, que analisa a atividade genética do tumor para estimar a probabilidade de a doença retornar, os pesquisadores conseguiram identificar um subgrupo considerável de pacientes com baixo risco de recorrência. Essas pacientes receberam apenas terapia hormonal, enquanto aquelas com pontuações de risco mais elevadas foram submetidas à quimioterapia.
Os resultados após cinco anos de acompanhamento foram notáveis: aproximadamente 68% das participantes foram classificadas como de baixo risco. Deste grupo, 93,6% das pacientes tratadas exclusivamente com terapia hormonal permaneceram livres da doença. Em comparação, o índice entre as que também receberam quimioterapia foi de 94,8%. A diferença de pouco mais de um ponto percentual foi considerada clinicamente insignificante pelos pesquisadores, demonstrando que a quimioterapia não agregou benefício substancial para a maioria das pacientes de baixo risco.
Além disso, a análise revelou que apenas cerca de 2% das pacientes com baixa pontuação apresentariam um benefício significativo com a quimioterapia. O estudo também se destacou por incluir grupos frequentemente sub-representados em pesquisas, como mulheres na pré-menopausa e pacientes com mais de três linfonodos afetados, com resultados consistentes. Especialistas ressaltam que essa abordagem personalizada, baseada na biologia do tumor, tem o potencial de poupar milhares de pacientes dos efeitos colaterais físicos e emocionais da quimioterapia, representando um avanço significativo na oncologia.
